
Por que é Difícil Manter Hábitos e Projetos ao Longo do Tempo
Começar é fácil; sustentar é onde a maioria tropeça. Por trás da desistência costumam estar padrões emocionais invisíveis — não falta de disciplina.
Esta página fala com duas pessoas ao mesmo tempo. Com quem tem 14, 15 ou 17 anos e chegou aqui por conta própria — o espaço também é seu. E com pais e responsáveis que estão tentando entender se é hora de procurar ajuda. Atendemos a partir dos 14 anos; crianças não são atendidas neste consultório.
Uma regra decide boa parte do resultado, e ela vale para os dois lados: o paciente é o adolescente. As sessões acontecem no Brooklin, onde o consultório atende desde 2012, ou por vídeo, de segunda a sexta, das 7h às 22h, por R$ 275, com a primeira consulta a R$ 150.
Veja quem atende essa faixa e escolha um horário livre — inclusive antes ou depois da escola e do cursinho.
A adolescência tem intensidade própria, e nem tudo o que assusta a família é sinal de problema: variação de humor, necessidade de privacidade, distanciamento dos pais e reorganização das amizades fazem parte da fase. A régua útil é a mesma de sempre — persistência e prejuízo: há quanto tempo dura e o que deixou de acontecer por causa disso.
Os motivos mais frequentes de procura são ansiedade e pressão escolar, dificuldades sociais, tristeza que não passa, conflito em casa que virou rotina, sono desregulado, relação com o corpo e com as redes, primeiros afetos e questões de identidade. Também chega quem não tem um problema definido e quer um lugar para pensar — o que é motivo suficiente.
Porque é o único lugar onde o adolescente é medido toda semana — e por isso quase tudo aparece ali primeiro. Ansiedade vira branco na prova; sono desregulado vira sonolência na terceira aula; tristeza vira lição não entregue; conflito com a turma vira recusa de ir. A queda de rendimento raramente é o problema em si: é o visor dele. Duas orientações práticas para a família: começar pela cobrança (“você precisa estudar mais”) costuma piorar — o desempenho é sintoma, e sintoma não melhora por exigência; e a pergunta útil não é “por que as notas caíram?”, e sim “o que mudou na vida dele nesse período?” — sono, amizades, telas, clima da casa. Em sessão, a escola entra como fonte de informação, não como pauta de rendimento: quando o que está por baixo é cuidado, as notas costumam voltar como consequência.
Nessa fase, o grupo não é detalhe — é régua central: a aceitação dos pares pesa no adolescente de um jeito que o adulto, já aliviado dessa pressão, tem dificuldade de lembrar. Por isso “ignora, isso passa” não funciona e ainda fecha a porta da conversa. E o sofrimento social nem sempre tem cena de agressão: a exclusão silenciosa — o grupo que combina sem chamar, a mesa em que não há lugar, o print que circula — machuca sem deixar flagrante. Sinais de alerta: não querer ir à escola sem motivo claro, sumir dos aplicativos que antes usava (ou não largá-los, vigiando), parar de mencionar amigos. Na terapia, o trabalho tem duas frentes: o que fazer na situação concreta — que às vezes exige a escola e os adultos — e a reconstrução do que o bullying corrói por dentro, que é a parte que segue doendo depois que a situação termina.
O adolescente é quem faz terapia; os responsáveis viabilizam o processo, mas não encomendam o resultado. Essa distinção não é formalidade: sem ela, o adolescente entende que a sala é uma extensão da vigilância de casa, e não fala. E se ele não fala, não há trabalho.
Na prática, o sigilo previsto no Código de Ética vale também para ele: o conteúdo das sessões não é repassado. O que os responsáveis recebem é o andamento do processo e as orientações que couberem — e há exceções previstas na ética profissional, ligadas a situações de risco, que são explicadas a todos no início, e não descobertas no meio. Também é comum aparecer o pedido de “consertar” o adolescente; ele é acolhido e traduzido, porque quase sempre há algo a trabalhar também na dinâmica da casa, e para isso existe a orientação de pais.
As primeiras sessões existem para construir terreno: rotina, escola, amizades, o que incomoda — sem pressa de chegar a lugar nenhum. Muitos adolescentes chegam calados, e isso é previsto; os primeiros encontros servem para ele saber com quem está falando, não para produzir revelações. A escolha da psicóloga pesa bastante nessa faixa etária, e vale ler os perfis com ele, não por ele.
O formato pode ser presencial ou por vídeo, e no vídeo existe um detalhe prático que decide a qualidade da sessão: onde ele vai falar. Se não houver privacidade em casa, o presencial costuma render mais. Quando o adolescente se recusa a começar, forçar tende a transformar a terapia em punição — nesses casos, os responsáveis podem começar sozinhos e, com frequência, ele aceita depois, quando o clima muda.
Para o atendimento acontecer, o agendamento e o pagamento são feitos por um responsável — isso é uma exigência prática, não uma escolha da casa. O que fica protegido é o conteúdo: o que você falar em sessão é sigiloso, e isso é explicado aos seus pais desde o início. Se a conversa em casa for a parte difícil, a nossa secretaria pode orientar como encaminhá-la.
O andamento do processo, as orientações que ajudarem a casa e o que for necessário para a continuidade — não o conteúdo do que ele traz. Essa fronteira é o que sustenta a confiança dele no trabalho. A forma de contato com os responsáveis é combinada no começo, com todo mundo sabendo das regras, inclusive das exceções ligadas a risco.
Não. O atendimento começa aos 14 anos e o foco do consultório é o público adulto e adolescente a partir dessa idade. Para crianças, o cuidado exige serviços preparados para essa faixa. O que existe aqui para os adultos da casa é a orientação de pais, que trabalha com quem convive com a criança.
Levar à força costuma transformar a terapia em castigo, e isso atrapalha por meses. Duas saídas funcionam melhor: propor uma única conversa, sem compromisso de continuar, deixando claro que ele pode decidir depois; ou os responsáveis começarem sozinhos, ajustando o que está sob o controle da casa. É comum ele aceitar mais adiante.
Faz parte da fase, e não significa que a porta fechou. O que costuma reabrir canal é frequência baixa e pressão zero: presença constante, perguntas sem interrogatório, disponibilidade em horários improváveis. Isso é justamente o que se trabalha na orientação aos pais — e ter um adulto de fora da família com quem falar costuma aliviar a conta que hoje recai sobre você.
Leve a sério imediatamente e não espere pela próxima consulta. Em risco iminente, o SAMU atende pelo 192; o CVV atende 24 horas por dia, gratuitamente, pelo 188, e também recebe familiares. O consultório atende com hora marcada e não é serviço de urgência — o acompanhamento entra ao lado desse cuidado, e nessas situações a psicóloga trabalha com os responsáveis envolvidos, conforme prevê a ética profissional.
R$ 275 por sessão, com a primeira consulta a R$ 150 — o mesmo valor do atendimento adulto —, em encontros de 50 minutos a 1 hora. De segunda a sexta, com a primeira sessão às 7h e a última começando às 21h, o que costuma permitir encaixar antes ou depois da escola. O atendimento é particular, e o recibo pode ser usado para pedir reembolso ao plano, conforme as regras do contrato.
Muita família adia a primeira consulta esperando ter certeza — e essa certeza raramente chega antes. A primeira conversa custa R$ 150 (as seguintes, R$ 275) e já indica se faz sentido continuar. Para saber quais psicólogas atendem adolescentes e quais horários estão livres, a nossa secretaria atende de segunda a sexta, das 7h às 21h, pelos contatos abaixo.