
Desequilíbrio de Poder nas Relações: Sinais e Saídas
O poder nas relações raramente se impõe de forma explícita — ele se instala no cotidiano, moldando emoções, silêncios e limites. Reconhecer esse padrão é o primeiro movimento possível.
Nas consultas, nas visitas e no grupo da família, quase todas as perguntas são sobre o bebê: mamou bem? dormiu quanto? já ganhou peso? Quando alguém pergunta por você, costuma haver uma resposta esperada — cansada, mas feliz — e pouco espaço para qualquer coisa diferente disso.
Nasceu um bebê e nasceu uma mãe; a segunda quase nunca tem acompanhamento. Este espaço é para ela, no consultório do Brooklin, que atende desde 2012, ou por vídeo, de segunda a sexta, das 7h às 22h, por R$ 275 a sessão, com a primeira consulta a R$ 150.
Escolha o perfil e um horário livre — inclusive por vídeo, com o bebê por perto.
O puerpério é uma das transições mais intensas da vida adulta, e não é um problema de saúde por definição. Muda o corpo, muda o sono, muda a autonomia sobre o próprio dia, muda o casal, muda a relação com o trabalho e com o dinheiro, muda a vida sexual, mudam as amizades. Some-se a isso um volume de opinião não pedida que nenhuma outra fase recebe: sobre amamentação, sobre voltar a trabalhar, sobre colo, sobre chorar.
Não é preciso ter um quadro clínico para procurar ajuda nessa fase — cuidar da travessia é motivo suficiente. E há um limite claro: quando o sofrimento passa a ocupar todos os dias e não cede, o que está em questão pode ser a depressão pós-parto, que tem página e tratamento próprios aqui. Distinguir uma coisa da outra é parte da avaliação inicial.
O ditado promete uma aldeia para criar cada criança; a vida urbana entrega um apartamento, um parceiro em expediente e a família a quilômetros — quando há família disponível. A solidão do puerpério moderno não é falha sua: é estrutural — as amigas estão em outra fase, a avó trabalha ou mora longe, e a única companhia do dia inteiro tem semanas de vida e não conversa. Isso tem dois desdobramentos práticos em sessão. O primeiro: rede, hoje, se constrói ativamente — mapear quem existe (inclusive quem você não pediria por orgulho), transformar oferta vaga em tarefa concreta (“qualquer coisa me chama” vira “quinta você fica com ele das 15h às 17h”) e aceitar ajuda imperfeita, porque a avó que dá doce fora de hora ainda é uma tarde de sono. O segundo: reconhecer que parte do esgotamento atribuído à maternidade é, na verdade, da solidão em que ela está sendo exercida — e essa parte tem endereço e tratamento diferentes.
A expectativa é de veterania — “agora eu já sei” — e a realidade cobra outra prova: o puerpério de segundo filho tem dores próprias que o primeiro não ensinou. A logística não soma, multiplica: há um recém-nascido E uma criança com ciúme legítimo, rotina escolar e necessidade da mãe que acabou de “sumir”. Há o luto silencioso da exclusividade — a culpa de ter “destronado” o primogênito, a sensação de não dar conta de amar dois como cada um merece (dá — o amor não se divide, se desdobra, mas a ATENÇÃO se divide sim, e cabe planejá-la sem culpa). Há a comparação entre puerpérios: o corpo que responde diferente, o bebê com outro temperamento, a rede ainda menor porque “agora ela já sabe se virar”. E há a cobrança do “já devia saber”, que transforma cada dificuldade em falha dupla. Nada disso é regressão: é outra travessia — e ter espaço próprio para ela vale tanto quanto valeu na primeira.
Boa parte da dor dessa fase vem de uma comparação silenciosa: o parto que foi planejado e aconteceu de outro jeito, a amamentação que não engatou, a licença que acabou cedo demais, a casa que ia continuar funcionando, a mãe paciente que você imaginou que seria. Nada disso costuma ser dito em voz alta, porque parece ingratidão diante de um bebê saudável.
Junto vem a ambivalência, que é a parte mais mal compreendida: amar o bebê profundamente e sentir falta da vida de antes, ao mesmo tempo, sem contradição. Ter um lugar onde as duas coisas cabem — sem que alguém corrija, relativize ou lembre que essa fase passa rápido — costuma aliviar mais do que qualquer conselho prático.
O formato se adapta à fase, e não o contrário. O vídeo resolve a maior parte dos primeiros meses; as sessões podem acontecer com o bebê no colo, com interrupções, e isso não compromete o trabalho. Os horários das pontas do dia costumam ser os mais viáveis para quem depende de alguém para ficar com a criança.
O conteúdo varia com o momento: nas primeiras semanas costuma ser sustentação e organização do possível; depois entram a divisão de tarefas com o parceiro, a volta ao trabalho, a retomada do corpo e da vida sexual, a relação com a própria mãe — que reaparece com força nessa fase — e o reencontro com o que existe de você fora da maternidade. O parceiro pode participar quando fizer sentido, em atendimento próprio.
Vale. A maior parte de quem procura nessa fase não tem um quadro clínico: tem uma transição grande acontecendo sem espaço para ser processada. Ter um lugar próprio, uma vez por semana, costuma ser o que impede o acúmulo — e é também o que permite perceber cedo se algo passou do ponto.
Pode, e é o mais comum nos primeiros meses. Por vídeo, dá para atender enquanto ele mama ou dorme, e a sessão continua útil mesmo com interrupções. Não é preciso encontrar duas horas livres e silêncio absoluto para começar a se cuidar.
É mais frequente do que se fala, e ele pode ter atendimento próprio aqui — o consultório atende adultos, e essa fase mexe com os dois. Em alguns casos faz sentido cada um ter o seu espaço; em outros, o trabalho de casal é o caminho. A primeira conversa ajuda a definir o formato.
Essa culpa é quase universal e costuma vir alimentada por comparações com maternidades que ninguém vê por inteiro. Em sessão, ela é examinada em vez de combatida com frases prontas: de onde vem a régua que você está usando, quanto dela é sua e o que dá para negociar na prática — na casa, na rotina e no trabalho.
A régua mais útil é a persistência e o alcance: tristeza e cansaço que vêm em ondas e convivem com momentos bons são diferentes de um estado que ocupa quase todos os dias, tira o prazer de tudo e atrapalha o cuidado com você e com o bebê. Se a segunda descrição se parece com a sua, a avaliação é o próximo passo — e o quadro está descrito em depressão pós-parto.
Vale combinar antes: o consultório atende com hora marcada e não é serviço de urgência. Se aparecerem pensamentos de morte, de se machucar ou de fazer mal ao bebê, procure ajuda na hora — o CVV atende 24 horas por dia, gratuitamente, pelo 188, e o SAMU, pelo 192. O acompanhamento continua depois disso, e é ele que cuida do médio prazo.
R$ 275 por sessão, com a primeira consulta a R$ 150, em encontros de 50 minutos a 1 hora. A agenda vai de segunda a sexta, com a primeira sessão às 7h e a última começando às 21h — as pontas do dia costumam ser as mais fáceis nessa fase.
Se todas as perguntas ultimamente foram sobre o bebê, esta hora da semana pode ser sobre você. A primeira consulta custa R$ 150 (as seguintes, R$ 275) e pode ser por vídeo, sem sair de casa. Para escolher a psicóloga ou conferir horários, a nossa secretaria atende de segunda a sexta, das 7h às 21h, pelos contatos abaixo.