Por Luzia Lobato
Psicóloga · CRP 06/119285
Publicado em 03/08/2026
Você sabia que existem diferentes tipos de depressão?
Transtorno depressivo maior, distimia, depressão ansiosa, depressão pós-parto, depressão secundária, depressão atípica, depressão endógena, depressão psicótica, depressão sazonal e depressão bipolar.
Conhecer essa variedade de condições é importante para saber identificar quando você ou uma pessoa próxima e querida está passando pelo problema.
Em nosso blog, contamos com uma série que aborda todos esses tipos para que você possa conhecê-los melhor, sendo que no post de hoje falaremos sobre a depressão bipolar.
Por isso, continue acompanhando para saber mais a respeito do assunto, como causas, sintomas e tratamentos. Boa leitura!
O que é depressão bipolar?
A depressão bipolar é um episódio depressivo que ocorre no contexto do transtorno bipolar, condição caracterizada por alterações relevantes do humor, da energia e do comportamento, incluindo episódios de mania ou hipomania.
Durante esses períodos, a pessoa tende a vivenciar sensações de tristeza intensa, irritabilidade, cansaço excessivo, desesperança e desinteresse por atividades, inclusive as de rotina. Os sintomas variam de paciente para paciente.
Já no estado maníaco ou hipomaníaco, é possível que o indivíduo fique mais agitado ou eufórico, fale de forma acelerada, tenha mais energia e menor necessidade de sono. Também pode ocorrer aumento da libido e da impulsividade.
O que vai diferenciar os episódios de crise é a intensidade com que os sintomas se manifestam, o seu tipo, duração e impacto no dia a dia da pessoa.
Qual é a relação entre depressão bipolar e o transtorno de bipolaridade?
Como dito anteriormente, a depressão bipolar não é uma condição separada, mas um dos tipos de episódios que podem ocorrer no transtorno bipolar. Ela ocorre quando o indivíduo apresenta um episódio depressivo dentro desse quadro de saúde mental.
Assim, é importante compreender que nem toda pessoa com depressão apresenta transtorno bipolar. Para distinguir a depressão unipolar da depressão bipolar, é necessário observar a ocorrência de episódios de mania ou hipomania.
Portanto, sua identificação depende da avaliação dos sintomas atuais e de todo o histórico clínico da pessoa.
Quais são as causas da depressão bipolar?
As causas da depressão bipolar não são totalmente conhecidas. Mas, normalmente, resultam de uma interação entre vulnerabilidades biológicas e fatores ambientais.
Das principais, destacam-se as seguintes:
1. Contribuição genética
Apesar de nos outros tipos de depressão também haver uma provável predisposição genética como fator de origem, na depressão bipolar há um importante componente hereditário e ocorre com maior frequência em pessoas que têm familiares próximos com a condição.
2. Fatores biológicos
Diferenças na estrutura e no funcionamento de circuitos cerebrais relacionados ao humor, à motivação, ao sono e ao controle emocional podem desencadear episódios depressivos e de mania típicos da depressão bipolar.
3. Questões ambientais
Conflitos familiares ou profissionais, problemas financeiros, estresse prolongado, traumas, mudanças marcantes, luto e términos de relacionamentos são alguns dos acontecimentos capazes de atuar como gatilhos ou agravar os sintomas em pessoas predispostas.
4. Uso de substâncias psicoativas
No caso da depressão bipolar, o consumo de álcool, drogas, estimulantes e outras substâncias psicoativas têm potencial para desencadear ou piorar alterações de humor, dificultar o sono e até interferir no tratamento.
5. Aspectos psicológicos e sociais
Isolamento, ausência de apoio – especialmente o familiar, conflitos frequentes e condições sociais desfavoráveis são fatores propensos a acentuar a intensidade, a duração e a recorrência dos episódios, embora não sejam causas únicas.
Frise-se que algumas causas criam uma predisposição, enquanto outras funcionam como gatilhos. Logo, o diagnóstico deve ser feito por um profissional qualificado, pois a depressão bipolar pode ser confundida com a depressão unipolar que possui um tratamento diferente.
Quais são os principais sintomas da depressão bipolar?
Durante o episódio depressivo do transtorno bipolar, podem surgir sintomas semelhantes aos de outros tipos de depressão. Os mais comuns incluem:
- irritabilidade;
- tristeza persistente;
- melancolia;
- sensação de vazio;
- instabilidade de humor acentuada;
- perda de interesse ou prazer nas atividades;
- cansaço ou falta de energia;
- alterações do sono;
- alterações do apetite ou do peso;
- dificuldade de concentração;
- sentimentos de culpa e inutilidade;
- lentidão ou agitação;
- pensamentos recorrentes sobre morte ou suicídio.
Essas manifestações fazem parte de muitos casos de depressão bipolar. Apesar disso, normalmente variam de pessoa para pessoa.
Depressão bipolar tem cura?
Embora a depressão bipolar não tenha uma cura definitiva conhecida, nem um recurso que elimine completamente todos os seus sintomas, ela pode ser controlada com o tratamento apropriado.
O devido acompanhamento permite que os efeitos da condição sejam reduzidos, além de diminuir a intensidade e a frequência com que ocorrem.
Como veremos a seguir, o tratamento costuma envolver medicamentos prescritos por um psiquiatra, prática de psicoterapia e cuidados com a rotina, como manter horários regulares de sono, evitar o consumo de álcool e outras drogas que levam à dependência química, e praticar atividades físicas.
Resta dizer que, mesmo quando a pessoa passa a se sentir melhor, é importante não interromper a medicação ou o acompanhamento profissional por conta própria, pois o transtorno bipolar é uma condição de tratamento a longo prazo.
Como diagnosticar e tratar a depressão bipolar?
O diagnóstico da depressão bipolar é feito por um psiquiatra, sendo que este considera os sintomas atuais do paciente, o histórico de episódios depressivos, maníacos ou hipomaníacos, além do histórico familiar e o uso de medicamentos ou substâncias.
Alguns exames físicos e laboratoriais podem ser solicitados para descartar outras condições com sintomas parecidos. O tratamento é individualizado e geralmente combina os seguintes recursos:
Psicoterapia
Por meio de abordagens como a terapia cognitivo-comportamental, a psicoterapia pode ajudar a pessoa a compreender o transtorno, identificar possíveis gatilhos e reconhecer os primeiros sinais de um novo episódio.
Ela faz parte do tratamento integrado, sendo igualmente benéfica para o controle do estresse, a organização da rotina, a resolução de problemas e o desenvolvimento de estratégias que permitem lidar com pensamentos, emoções e comportamentos difíceis.
Medicamentos
Os medicamentos são uma parte relevante do tratamento e devem ser prescritos e acompanhados por um psiquiatra, que, a depender da gravidade do quadro clínico, pode prescrever estabilizadores do humor, antipsicóticos ou uma combinação de medicamentos.
É válido lembrar que o paciente não deve iniciar, alterar ou interromper a medicação por conta própria, mesmo quando estiver se sentindo melhor. Somente o profissional deve avaliar os resultados, ajustar as doses e monitorar possíveis efeitos colaterais.
Mudanças de hábitos
Algumas mudanças de hábitos complementam o tratamento da depressão bipolar e ajudam a manter a estabilidade do humor. Entre elas estão: manter horários regulares para dormir e acordar, praticar atividades físicas regularmente e manter uma alimentação equilibrada.
Além disso, evitar o consumo de álcool e outras drogas, reservar momentos para atividades de lazer e adotar práticas de relaxamento podem favorecer a saúde física e mental.
Portanto, como vimos, é possível controlar a depressão bipolar, mas isso exige acompanhamento contínuo. Sendo assim, conte com os nossos psicólogos para receber acolhimento, iniciar seu tratamento e buscar avaliação psiquiátrica quando necessário.
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Autor: Psicóloga Luzia Fatima de Andrade Lobato - CRP 06/119285 Formação: Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental e pós-graduada em Saúde Mental. Possui vasta experiência em atendimentos para adultos e casais, com foco em demandas como ansiedade, estresse no trabalho, conflitos familiares, depressão, questões emocionais como autoestima e autoconfiança…
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