Por Gabriela Assis
Psicóloga · CRP 06/219159 · 22 de junho de 2026
Você sabia que existem diferentes tipos de depressão?
Transtorno depressivo maior, distimia, depressão ansiosa, depressão pós-parto, depressão secundária, depressão sazonal, depressão endógena, depressão psicótica, depressão bipolar e a depressão atípica.
Conhecer essa variedade de condições é importante para saber identificar quando você ou uma pessoa próxima e querida está passando pelo problema.
Em nosso blog, contamos com uma série que aborda todos esses tipos para que você possa conhecê-los melhor, sendo que no post de hoje falaremos sobre a depressão atípica.
Por isso, continue acompanhando para saber mais a respeito do assunto, como causas, sintomas e tratamentos. Boa leitura!
O que é depressão atípica?
A depressão atípica se caracteriza por um estado depressivo em que há períodos de melhora do humor e dos demais sintomas do quadro. Isso significa que, se eventos positivos acontecem na vida da pessoa, ela costuma reagir bem. Entretanto, com o tempo, o estado depressivo pode retornar.
Convém mencionar que essa reatividade de humor não significa que o indivíduo esteja se sentindo bem de verdade. Afinal, ele pode se demonstrar alegre em alguns momentos, quando, na verdade, está apenas camuflando seus sentimentos.
Por isso, a depressão atípica, também conhecida como depressão sorridente, pode ser de difícil diagnóstico, uma vez que a pessoa consegue esconder suas emoções.
Quais são as causas da depressão atípica?
Não existe uma única causa que justifique o surgimento da depressão atípica. Contudo, questões genéticas e ambientais são as que mais contribuem para o quadro.
Além disso, existem alguns fatores de risco que podem contribuir para o desencadeamento desse tipo de depressão, a exemplo de:
- Histórico de depressão na família;
- Acontecimentos que geram o sentimento de perda, como luto, separação, etc.;
- Traumas relacionados a abusos físicos, sexuais ou emocionais;
- Mudanças de vida bruscas, como de cidade, aposentadoria, perda de emprego, etc.;
- Descoberta de doenças graves, como câncer, problemas cardíacos, HIV.
Quais são os principais sintomas da depressão atípica?
Como já mencionamos, a depressão atípica se diferencia da depressão “tradicional”, especialmente porque, nela, não costuma estar em evidência sentimentos relacionados à tristeza profunda, como as crises de choro ou o isolamento social.
Na realidade, nesse tipo de depressão, há a reatividade de humor – que são justamente as demonstrações falsas de felicidade.
Mas, além desse, existem outros sintomas característicos, como:
- Hipersonia (sonolência excessiva)
- Aumento do apetite e, consequentemente, ganho de peso
- Baixa autoestima
- Maior sensibilidade ao receber críticas e julgamentos
- Sentimento de rejeição
- Sensação de braços e pernas pesados
Vale dizer que todos esses sintomas podem estar relacionados a outros problemas de ordens diversas. Porém, é sempre importante ficar atento e procurar ajuda profissional se eles forem prolongados ou começarem a intervir de forma negativa na sua rotina.
Como é realizado o diagnóstico da depressão atípica?
O diagnóstico da depressão atípica é clínico. Ou seja, o paciente deve passar por uma consulta com o médico psiquiatra ou psicólogo para que esse especialista faça uma anamnese e investigue se os relatos condizem com esse tipo de depressão ou não.
Aqui, o profissional questiona o paciente em relação a alguns pontos da sua vida, como:
- Quais são os sintomas e a duração desses;
- Se possui histórico familiar de transtornos mentais;
- Se os seus comportamentos têm tendências depressivas;
- Como é a sua rotina e os seus relacionamentos interpessoais;
- Se há persistência de pensamentos negativos;
- Como é o humor no dia a dia e diante de situações adversas.
No entanto, para descartar outros problemas, ainda podem ser realizados testes e exames físicos no paciente, como os de sangue.
É importante destacar, ainda, o papel da família e dos amigos nesse processo de diagnóstico. Afinal, a pessoa que sofre com a depressão atípica, justamente por mascarar os sintomas, tende a não procurar ajuda profissional por conta própria.
Portanto, é muito importante que a rede de apoio esteja presente para dar um direcionamento de forma responsável e acolhedora.
Depressão atípica tem cura?
Sim, a depressão atípica tem cura. Contudo, é preciso um tratamento adequado e contínuo para que haja a remissão dos sintomas e o indivíduo desfrute de qualidade de vida.
Vale dizer ainda que, mesmo quando curadas, recomenda-se que as pessoas que já tiveram depressão (de qualquer tipo) continuem as terapias e mantenham hábitos saudáveis para evitar a reincidência da condição.
Como tratar a depressão atípica?
O tratamento da depressão atípica deve ser multidisciplinar, sendo as principais frentes:
Psicoterapia
A psicoterapia é indispensável para quem sofre com qualquer tipo de depressão, incluindo a atípica. Afinal de contas, por meio do estímulo a reflexões, ela auxilia o paciente a identificar e a mudar os seus padrões de comportamento e pensamentos disfuncionais.
Além disso, o autoconhecimento é trabalhado nas sessões, o que contribui para que o indivíduo reconheça gatilhos que desencadeiam o seu mau humor.
Por fim, mas não menos importante, o psicólogo ainda pode ir mais a fundo ao tentar descobrir a causa da depressão atípica. Nesse sentido, caso seja um fator ambiental, como um trauma da infância, por exemplo, esse será tratado também.
Uso de medicamentos
O tratamento medicamentoso também é comumente indicado para controlar os sintomas da depressão atípica e tratar os fatores bioquímicos dessa condição. Para tal, é necessário que um médico psiquiatra prescreva as medicações corretas. Nunca tome por conta própria!
Mudança de hábitos e estilo de vida
Essa é uma outra frente necessária no tratamento da depressão atípica. O paciente precisa alterar seus hábitos e o seu estilo de vida para melhorar o humor, diminuir a irritabilidade e tratar os outros sintomas da condição. Isso tem a ver com o autocuidado!
Portanto, se você sofre com essa condição, deve:
- Praticar regularmente exercício físico: para liberar hormônios que promovam a sensação de bem-estar;
- Definir dias da semana para algum hobby: para aumentar a sensação de prazer;
- Meditar: para relaxar e acalmar os pensamentos acelerados;
- Se voluntariar: para se sentir motivado, relevante e encontrar um propósito de vida;
- Se alimentar de forma saudável: para manter as vitaminas e minerais em bons níveis no organismo, evitando desequilíbrios bioquímicos.
Construção de uma rede de apoio
Contar com uma rede de apoio formada por amigos e familiares que querem o seu bem e que te transmitam confiança é indispensável para esse processo de reabilitação.
Sim, ter pessoas para te ouvir sobre os problemas que te afligem, para te incentivar e te acompanhar em momentos-chave do tratamento e/ou para te fazer companhia em momentos dolorosos e desafiadores é muito importante.
Sendo assim, construa uma rede de apoio forte e duradoura. Mas, atenção: também seja um ponto de apoio para essas pessoas quando elas precisarem. Reciprocidade é tudo!
Portanto, se você desconfia que possa estar com depressão atípica ou outro tipo de transtorno depressivo ou acredita que alguém próximo esteja sofrendo com esse problema, entre em contato conosco! Conheça os nossos psicólogos e agende a sua consulta!
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Autor: Psicóloga Gabriela de Assis da Silva - CRP 06/219159Formação: Realiza especialização em TCC-Terapia Cognitivo Comportamental e é pós-graduada em Neurociência com formação complementar pela PUC Campinas. Sua prática clínica é baseada em abordagens contemporâneas, ideal para adultos e casais com demandas relacionamento, ansiedade, questões profissionais...
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