Por Letícia Lopes
Psicóloga · CRP 06/168484
Publicado em 12/10/2026
Você sabia que existem diferentes tipos de depressão?
Transtorno depressivo maior, distimia, depressão ansiosa, depressão pós-parto, depressão bipolar, depressão atípica, depressão endógena, depressão psicótica, depressão sazonal e depressão secundária
Conhecer essa variedade de condições é importante para saber identificar quando você ou uma pessoa próxima e querida está passando pelo problema.
Em nosso blog, contamos com uma série que aborda todos esses tipos para que você possa conhecê-los melhor, sendo que no post de hoje falaremos sobre a depressão secundária.
Por isso, continue acompanhando para saber mais a respeito do assunto, como causas, sintomas e tratamentos. Boa leitura!
O que é depressão secundária?
A depressão secundária, também chamada de depressão orgânica, consiste em uma síndrome depressiva associada ou causada por outras doenças ou pelo uso de determinados medicamentos.
Assim, diferentemente de outros tipos de depressão, essa não é causada por fatores psicológicos ou emocionais que possam interferir nos padrões de pensamento, sentimento e comportamento do indivíduo, mas sim por questões químicas e biológicas.
Quais são as causas da depressão secundária?
Como mencionamos, o surgimento da depressão secundária está relacionada a questões orgânicas, ou seja, tem por trás dela o uso de medicamentos ou alguma doença médico-sistêmica (que afeta múltiplos órgãos).
Veja alguns fatores causadores a seguir para compreender melhor:
- Alterações hormonais (ex.: problemas na tireóide)
- Doenças crônicas (ex.: diabetes, hipertensão, Parkinson, etc.)
- Medicamentos que têm como efeito colateral os sintomas depressivos (ex.: remédios para tratar pressão alta ou refluxo gastroesofágico, relaxantes musculares, etc.)
Quais são os principais sintomas da depressão secundária?
Apesar de as causas serem diferentes, os sintomas da depressão secundária são similares aos dos outros tipos. Assim, dentre os principais se destacam:
- Falta de ânimo e energia: não há disposição para realizar as atividades diárias.
- Cansaço constante: mesmo com o descanso noturno adequado, a sonolência e o cansaço se arrastam ao longo do dia.
- Alterações no apetite: o apetite pode aumentar ou diminuir, o que altera o peso.
- Insônia: há demora para dormir ou despertares constantes ao longo da noite.
- Tristeza prolongada e profunda: sentimento de tristeza sem motivo aparente que se arrasta pelos dias.
- Sensação de inutilidade: a pessoa se sente inútil e sem importância e a sua autoestima tende a reduzir bruscamente.
- Anedonia: desinteresse por atividades ou coisas que antes eram prazerosas.
- Pensamentos negativos intermitentes: ideias ruins começam a se tornar incontroláveis (em casos mais graves pode haver a ideação suicida).
- Dificuldade de concentração: agitação e irritabilidade podem comprometer o foco.
Essas manifestações fazem parte de muitos casos de depressão secundária. Contudo, é válido destacar que há uma variação de pessoa para pessoa. Ou seja, nem todos os pacientes terão todos os sintomas, além disso, a intensidade varia.
Depressão secundária tem cura?
A resposta é depende. Tudo vai depender da causa exata da depressão.
Por exemplo, se ela surgiu pelo uso de determinado medicamento, há grandes chances de curá-la após a pausa do remédio e com o acompanhamento multidisciplinar adequado.
Por outro lado, se ela é causada por alguma doença crônica, então não possui cura. Contudo, o mais importante é saber que ela pode ser controlada com o tratamento eficaz e apropriado.
Isso porque o devido acompanhamento permite que os efeitos da depressão orgânica sejam reduzidos e, em muitos casos, até mesmo eliminados. No entanto, é importante manter o tratamento de forma contínua para que não haja recaídas.
Como diagnosticar e tratar a depressão secundária?
O diagnóstico da depressão secundária é feito por um psiquiatra, sendo que este considera os sintomas atuais do paciente, o uso de medicamentos ou substâncias e o seu histórico clínico, isto é, a existência de outras condições.
Exames físicos e laboratoriais são comumente solicitados para investigar as possíveis causas da depressão orgânica, bem como para descartar outras condições com sintomas parecidos.
O tratamento é individualizado, mas geralmente combina os seguintes recursos:
Psicoterapia
A psicoterapia é indispensável para quem sofre com a depressão secundária. Isso porque, em alguns casos, o causador dessa condição é irreversível, como no caso de doenças crônicas ou sequelas de um acidente vascular cerebral, por exemplo.
Nesse sentido, o acompanhamento psicológico é importante para trazer melhora na qualidade de vida do paciente e, especialmente, aceitação.
Por meio do estímulo a reflexões e do autoconhecimento, o indivíduo é orientado a identificar e a mudar os seus padrões de comportamento e pensamentos disfuncionais, bem como a melhorar a sua autoestima, por meio da identificação de suas forças.
Desse modo, ele consegue ter uma postura mais saudável em relação à sua condição clínica de uma forma geral.
Uso ou interrupção de medicamentos
O tratamento com antidepressivos também pode ser indicado para controlar os sintomas da depressão secundária, uma vez que esses regulam os neurotransmissores responsáveis pelo humor. Para tal, é necessário que um médico psiquiatra prescreva as medicações corretas. Nunca tome por conta própria!
Por outro lado, se o especialista chegar à conclusão de que algum medicamento pode estar causando ou acentuando a depressão, então ele também solicitará a interrupção e fará a troca mais adequada e ajustada às necessidades do paciente.
Tratamento neurológico
Em casos mais graves da depressão secundária e a depender da sua origem, pode ser necessário uma intervenção neurológica, como a eletroconvulsoterapia, estimulação magnética transcraniana e neurocirurgia, por exemplo.
Mudança de hábitos e estilo de vida
Essa é uma outra frente necessária no tratamento da depressão orgânica. Sim, o paciente precisa alterar seus hábitos e o seu estilo de vida para melhorar o humor e evitar os sintomas depressivos.
Dentre outras alterações, estão:
- Prática regular de atividade física: libera hormônios que promovem a sensação de bem-estar e prazer, como a serotonina.
- Definição de dias da semana para praticar algum hobby: aumenta a sensação de prazer.
- Meditação, respiração guiada e/ou prática de outras técnicas de relaxamento: acalma os pensamentos acelerados.
- Alimentação saudável: mantém as vitaminas e minerais em bons níveis no organismo, evitando desequilíbrios bioquímicos.
Rede de apoio
Contar com uma rede de apoio formada por amigos e familiares que querem o seu bem e que transmitam confiança é indispensável no tratamento de qualquer condição física ou psicológica, inclusive a depressão.
Sim, ter pessoas para te ouvir, para te incentivar e para te acompanhar em momentos-chave do tratamento é muito importante. Afinal, a solidão só agrava o quadro.
Portanto, construa uma rede de apoio forte e duradoura. Mas, atenção: também seja um ponto de apoio para essas pessoas quando elas precisarem. Reciprocidade é tudo!
Se você desconfia que pode estar com depressão secundária ou outro tipo de transtorno depressivo ou acredita que alguém próximo esteja sofrendo com esse problema, entre em contato conosco! Conheça os nossos psicólogos e agende a sua consulta!
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Autor: Psicóloga Letícia Batista Lopes - CRP 06/168484Formação: A psicóloga Letícia Lopes é graduada em Psicologia pela Universidade Paulista, possui formação em TCC (Terapia Cognitivo Comportamental) pelo CETCC; pós-graduada em Psicopatologia e Saúde Mental pelo CEPPS e Mentoria em TCC com Anna Polak...
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