Por Ana Guastaferro
Psicóloga · CRP 06/228610
Publicado em 05/05/2025 · Atualizado em 14/10/2026
A saúde mental da mulher é, sem dúvidas, um dos assuntos mais importantes nos dias atuais, mas que sofre bastante estigmatização.
Isso porque, com a ocupação feminina nos mais diversos espaços laborais, porém ainda sendo sobrecarregada pelas tarefas domésticas e cuidado com os filhos, diversos problemas mentais e emocionais surgem e nem sempre são tratados da devida forma.
Neste artigo, falaremos sobre os principais desafios enfrentados pela população feminina, como identificar quando há um adoecimento mental e dicas para cuidar da saúde emocional e psicológica deste público. Confira!
Quais são os principais desafios vivenciados pelas mulheres e que afetam a saúde mental delas?
Inúmeros desafios surgem em diferentes fases da vida de cada mulher, desde as questões hormonais femininas que aparecem na adolescência e perduram por toda a vida até o acúmulo de funções e as pressões sociais vividas.

Nesse cenário, é impossível listar todos os obstáculos que podem surgir na vida da população feminina, comprometendo a sua saúde mental.
No entanto, nos propusemos a trazer os principais e mais comuns, que são:
- Fatores biológicos e hormonais: que provocam mudanças bruscas no ciclo vital, como nos períodos da menarca, gravidez e menopausa.
- Violência de gênero: que podem desencadear traumas severos que, se não tratados, perduram por muitos anos.
- Desigualdade de gênero: como as disparidades salariais e menor acesso a oportunidades, o que pode desencadear depressão, estresse e ansiedade.
- Dupla jornada e o acúmulo de funções e responsabilidades: como a doméstica, maternal e profissional, podendo levar ao estresse crônico e exaustão mental.
- Pressão da sociedade para ter um corpo “ideal”: algo que aumenta as chances de surgirem transtornos alimentares.
Portanto, são muitos fatores que influenciam a saúde mental da mulher e que precisam de uma maior atenção e cuidado.
Muitos desses fatores não dependem só de você para mudar, mas o jeito de atravessá-los, sim. Psicólogos que atendem saúde mental ajudam a separar o que é cansaço de dupla jornada do que já virou adoecimento, em São Paulo ou online, sem esperar o sinal ficar grave.
Como identificar que a saúde mental de uma mulher não vai bem?
Naturalmente, a avaliação da saúde mental de qualquer pessoa deve ser realizada por um profissional especialista, como um psicólogo ou psiquiatra.
No entanto, se você é uma mulher ou convive com uma, é preciso ficar atento aos menores indícios e não negligenciá-los para, assim, procurar ajuda o quanto antes.
Desse modo, os principais sinais de que a saúde mental feminina não vai bem são:
- Distúrbios no sono (insônia ou vontade de dormir demais);
- Oscilações de humor constantes fora do período menstrual;
- Isolamento social e diminuição do interesse em atividades que antes eram prazerosas;
- Perda ou aumento significativo do apetite;
- Fadiga e baixa energia constantes;
- Problemas para se concentrar e manter o foco em atividades simples;
- Pensamentos negativos recorrentes;
- Baixa autoestima e autocrítica intensa;
- Comportamentos de autodestruição, como abuso de álcool e drogas;
- Sintomas físicos sem causa aparente, como dores de cabeça, problemas digestivos, etc.
Qualquer um desses pontos é um importante sinal de alerta. Vale dizer que eles não precisam aparecer ao mesmo tempo para que você procure ajuda.
Como cuidar da saúde mental da mulher?

Diante de tudo o que falamos até aqui, fica claro que a saúde mental feminina esbarra em inúmeros desafios, nas mais diversas fases da vida.
É preciso, portanto, olhar com mais empatia para a sua saúde mental – se você for uma mulher – ou para a saúde mental da mulher que está ao seu lado, seja uma companheira, amiga, parente ou colega de trabalho.
Para te ajudar nessa importante missão, trouxemos algumas dicas de cuidado e preservação da saúde mental feminina:
1. Invista em hábitos alimentares mais saudáveis
Manter uma alimentação saudável, equilibrada e nutritiva é benéfica não apenas para o corpo como também para a mente.
Afinal de contas, a ingestão de nutrientes específicos fornece as vitaminas e minerais necessários para o bom funcionamento cerebral.
2. Pratique o autocuidado
Reserve diariamente um momento para desenvolver o autocuidado. Isso envolve atividades que trazem prazer e relaxamento, como leitura, caminhada ao ar livre e meditação, bem como o cuidado estético, como cuidar da pele, das unhas, etc.
Sim, enquanto o autocuidado interior ajudará diretamente na saúde mental, o físico trará mais autoestima e autoconfiança, o que reflete no âmbito psicológico, naturalmente.
3. Construa uma rede de apoio e relacionamentos saudáveis
É importante cultivar relacionamentos positivos e saudáveis para estar sempre rodeada de pessoas nas quais você sente confiança em compartilhar suas emoções e preocupações.
Além disso, a rede de apoio será uma importante aliada na hora de atravessar momentos desafiadores e de transição, como a maternidade, por exemplo.
Por outro lado, fique longe de relacionamentos tóxicos, que podem te adoecer mentalmente e gerar inúmeros traumas e gatilhos.
4. Pratique atividade física regularmente
Além de contribuir para a saúde física, a prática de atividade física regular também contribui para manter em dia o cuidado com a saúde mental.
Isso acontece porque exercícios físicos, como caminhada, dança e esportes, liberam endorfinas responsáveis por promover a sensação de bem-estar e aliviar o estresse.
5. Durma adequadamente
O seu sono deve restaurar o corpo e a mente para a empreitada do dia seguinte. Para que isso aconteça, é importante criar uma rotina do sono, algo que envolve desde a definição de um horário para se deitar até o afastamento das telas horas antes de ir para a cama.
Sabemos que nem sempre essa é uma missão simples, principalmente no caso de mulheres que possuem bebês pequenos, mas é preciso se esforçar ao máximo para tentar priorizar o sono.
6. Mantenha os cuidados médicos em dia
Cuidar da saúde física também reflete na saúde mental, pois evita o surgimento de doenças que podem comprometer o psicológico e identifica questões que possam estar causando o desequilíbrio hormonal e, consequentemente, alguma condição mental, como a depressão.
Portanto, vá aos médicos das especialidades necessárias periodicamente para cuidar da saúde física e mental ao mesmo tempo.
7. Desenvolva o autoconhecimento
Desenvolver o autoconhecimento é importante para que você conheça os seus limites, necessidades, fraquezas, traumas, entre outras questões do seu interior.
Assim, estando ciente dessas questões, fica mais fácil lidar com as adversidades de maneira mais saudável e identificar gatilhos para prever o desencadeamento do estresse e da ansiedade, por exemplo.
8. Faça terapia
A terapia é uma importante ferramenta para trabalhar o autoconhecimento, superar traumas, lidar de modo mais eficiente com as emoções, mudar padrões de comportamento e pensamento deficientes, etc.
Portanto, o psicólogo pode ser um grande aliado tanto para preservar a saúde mental da mulher quanto para cuidar e tratar eventuais condições.
Sendo assim, não hesite em buscar a psicoterapia para encontrar nela um recurso potente de autocuidado.
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Autor: Psicóloga Ana Caroline Pina dos Santos Guastaferro - CRP 06/228610Formação: Psicóloga especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e pós-graduanda em Neuropsicologia. Atua com adultos e casais em demandas como relacionamentos. ansiedade, depressão, burnout, compulsões, conflitos afetivos e transição de carreira.
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