Apego emocional: não é necessariamente um problema tê-lo

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Se você procurar os termos apego/desapego na internet, vai encontrar dezenas de textos condenando o apego emocional e elogiando todas as formas de desapego. Mas faça pelo menos uma ressalva: não é possível generalizar a questão de tal maneira que se possa dizer que o comportamento de desapego seja o ideal para uma relação saudável.

Ambas as formas, quando em estado de desequilíbrio, podem causar sofrimento. Psicólogos, profissionais habilitados a tratar questões relacionadas ao apego, podem ajudar na criação de laços efetivos mais equilibrados e que, consequentemente, trarão maior qualidade de vida ao paciente.

O apego em teoria

A teoria do apego, desenvolvida pelo psiquiatra britânico John Bowlby, analisa a forma como as primeiras vinculações do bebê com seu cuidador se estabelecem e como o modelo de vinculação inicial será transportado para relações posteriores.

O teórico enfatiza que o apego inicial entre cuidador-bebê tem uma função adaptativa, de sobrevivência. Sem esse mecanismo, quando a criança iniciasse seus primeiros passos exploratórios, estaria mais exposta aos riscos que o mundo oferece. O mecanismo do apego é, portanto, natural e necessário.

Embora os comportamentos de apego e suas variáveis possam ser observáveis na criança pelo choro, sorrir, chamar, etc., ele caracteriza-se como sendo um estado interno do sujeito, e tem como objetivo o estabelecimento do senso de segurança.

Se a criança não sentir apego à mãe, ou ao primeiro cuidador, ela se afasta e se põe em risco. O desapego posterior, que fará a criança, agora maior, dar seus primeiros passos para longe do pais, dependerá da internalização do apego inicial, ou seja, da segurança criada a partir da relação afetiva.

Apego e desapego na vida adulta

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Bem, passemos à vida adulta. O desapego emocional anda na moda. Quem é desapegado é mais feliz, é que o que ouvimos por aí. Em tais palavras, existe uma idealização tanto ao desapego de objetos quando ao de pessoas – as relações estão mais fugazes, menos profundas.

O desapego pode significar, sim, uma facilidade em seguir sem olhar para trás, em não se prender a relações que machucam. Mas também pode significar uma defesa contra o estabelecimento de vínculos e a perda de muitas experiências enriquecedoras, de muitos encontros.

O apego se faz presente de forma exagerada quando, por exemplo, lembranças incômodas não o deixam, uma dor insiste em permanecer em seu peito, você está em uma relação que não lhe faz bem e não consegue sair ou ainda quando não consegue deixar um emprego do qual não gosta por medo do desconhecido.

É claro, o apego excessivo não é libertador, mas o desapego total também não. É o equilíbrio entre eles que deve ser buscado. É ter medo de tentar, mas tentar, que forma uma subjetividade saudável, aquela que todos procuramos.

Apego emocional não é um problema

Finalmente chegamos no título deste artigo: o apego emocional não é um problema. Agora deve estar claro que ele precisa ser seguro e que conviva de forma equilibrada com o desapego.

Um apego seguro permite que você mantenha relacionamentos, mas consiga encerrá-los quando avaliar ser esta a melhor opção; permite a você manter amizades de infância, mesmo quando os encontros se tornam mais raros (não é preciso cortar relações por isso), permite a você sair de um emprego que o faz infeliz, mas também mantê-lo quando a situação econômica não anda bem (ou seja, você sente que pode deixá-lo, mas não agirá com a urgência que o mecanismo de desapego gera).

Um apego saudável permite experimentar coisas novas porque você está seguro ao mesmo tempo em que permite manter relações duradouras sem que sinta que elas sejam um fardo. Você tem a segurança e a força do apego internalizada e então pode se aventurar no desapego. É uma questão de equilíbrio.

Como um psicólogo pode ajudar?

Por mais que você se dê conta do padrão problemático que os seus relacionamentos seguem, saber nem sempre é poder quando se trata de modificar um comportamento tão profundo e antigo. Talvez você já tenha tentado algumas vezes, mas o padrão se repete.

É na forma de olhar para si mesmo, em primeiro lugar, que o tratamento psicológico toca. A mudança de comportamento e a forma como você age no mundo, implica, em primeiro lugar, em autoconhecimento. E esse autoconhecimento ocorre por meio da sua fala e da escuta sensível feita pelo psicólogo. Nesse espaço, terá lugar a busca por uma forma equilibrada de apego emocional que possibilitará a construção de relações afetivas mais saudáveis e uma vida mais leve.

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Autora: Thaiana F. Brotto (Psicóloga CRP 06/106524)

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