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Relacionamento abusivo: quando a vítima é o homem

Relacionamento abusivo: quando a vítima é o homem

Homens também podem ser vítimas de relacionamentos abusivos. Esta é uma realidade pouco mostrada na mídia e costuma passar longe das rodas de conversa, mas não deixa de ser menos preocupante.

Historicamente, as mulheres sofreram – e continuam sofrendo – mais violência dentro das relações afetivas que os homens. Três a cada cinco brasileiras passam por alguma forma de abuso do parceiro na atualidade, segundo dados oficiais.

Atenção: após você concluir a leitura desse artigo, acesse também os meus outros dois artigos sobre relacionamentos abusivos. São eles:

As vítimas viviam completamente no silêncio e desamparo até alguns anos atrás. O número de denúncias feitas por mulheres acerca de seus parceiros abusivos, principalmente em respeito à violência doméstica, cresceu de modo considerável.

Embora muitas mulheres ainda temam fazer denúncias e romper com seus parceiros abusivos, essa pauta social é muito discutida tanto nas redes sociais e mídia quanto fora delas. Quando se trata da violência sofrida por homens nos relacionamentos, contudo, o silêncio ainda é expressivo.

Existem muitos fatores por trás disso, os quais serão vistos neste post.

Características da violência contra os homens nos relacionamentos

A violência física não é o único tipo de agressão presente nos relacionamentos abusivos. Quando as pessoas pensam sobre esse assunto, o que vem à mente são chutes, bofetadas, empurrões, tapas e golpes com armas brancas.

Entretanto, existem inúmeras formas de agredir uma pessoa e desestabilizá-la emocional, psicológica e fisicamente. Saber reconhecer os sinais de cada tipo de violência é essencial para identificar um parceiro abusivo.

As mulheres tendem a recorrer à atos violentos que vão além do confronto físico, como chantagem emocional, difamação, tortura psicológica, destruição de pertences pessoais, extorsão, brigas, entre outros.

Enquanto é bem fácil detectar a violência física, essas formas de agressão podem passar despercebidas. Elas costumam plantar dúvidas nos parceiros, que não sabem dizer se determinada atitude foi por maldade, sem intenção de magoar ou, ainda, se faz parte da personalidade da parceira.

Ainda assim, há registros de casos de violência física cometida por mulheres contra seus cônjuges. Como as mulheres não possuem a mesma força que os homens, elas podem atacar os parceiros em momentos de vulnerabilidade, como durante o sono.

Abaixo, veja algumas formas de violência comuns nos relacionamentos abusivos onde o homem é a vítima.

  • Xingar, difamar ou humilhar o parceiro na frente dos amigos, familiares ou quando estiverem a sós;
  • Ser muito ciumenta, limitando a interação com as pessoas que fazem parte da vida do parceiro;
  • Tentar controlar quando o parceiro sai de casa, o que ele usa, a sua profissão, entre outros aspectos da sua vida;
  • Fazer chantagem emocional para conseguir o que deseja, levando o ex-cônjuge a se sentir culpado por suas ações;
  • Dizer que algo não aconteceu para confundir a cabeça do parceiro;
  • Controlar as finanças da casa a ponto de somente ela ser capaz de decidir com o que a família ou o casal gastará;
  • Gritar e elevar a voz em vez de conversar para resolver problemas;
  • Expulsar de casa ou dos ambientes por coisas que você supostamente fez;
  • Ameaçar terminar com o cônjuge e impedir que ele veja os filhos, ou ameaçar tirar tudo o que ele tem na justiça; e
  • Esconder ou furtar documentos e/ou objetos importantes.

Violência após o término do relacionamento

Valor consulta atendimento online e presencial psicóloga Juliana






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Assim como muitos homens não aceitam o fim de uma relação, muitas mulheres também têm dificuldade para se distanciar do ex-parceiro após o término. Por se sentirem traídas ou injustiçadas, elas agarram qualquer oportunidade de perturbar a vida do ex.

Podem seguir o ex-cônjuge fisicamente ou pelas redes sociais, invadir sua residência, inventar mentiras para chantageá-lo (como mentir sobre uma gravidez, dificuldade financeira ou doença), mandar mensagens e fazer ligações inoportunas e ameaçar processar o ex-companheiro por inúmeras razões.

Além disso, a ex-parceira pode passar a infernizar a vida da nova companheira se acreditar que as suas atitudes podem atingir o ex.

No caso de casais divorciados, brigas podem ser instigadas pela pensão alimentícia e guarda da criança. A mãe pode tentar difamar o ex-parceiro para tentar usar os filhos contra o pai e o restante da família paterna.

Essas atitudes mal-intencionadas podem ser denunciadas às autoridades para que as medidas legais cabíveis ao caso possam ser tomadas.

Por que os homens ficam em silêncio?

O silêncio das vítimas masculinas dos relacionamentos abusivos pode ser explicado por um conjunto de fatores. Muitos deles possuem associação com questões sociais e históricas, as quais se modificam lentamente à medida que os anos passam e a sociedade se transforma.

1.     Machismo

A cultura brasileira ainda é dominada pelo machismo. Costuma-se acreditar que ele é prejudicial somente para as mulheres, mas os homens também sofrem com seus impactos negativos.

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Grande parte da população masculina internaliza as mensagens tóxicas sobre virilidade transmitidas a eles pelas famílias, escola, mídia e outros agentes sociais durante a infância e adolescência. Precisam ser “machos”, fortes e sagazes o tempo todo, mesmo que não tenham interesse em cultivar os ideais tradicionais de masculinidade.

Ensinamentos como “homem não chora”, “homem não pode demonstrar fraqueza” e “homem não pode ser capacho de mulher” se alojam na mente dos homens, levando-os a moldar seus comportamentos com base neles.

Sofrer violência nos relacionamentos enfraquece a imagem de virilidade que tentam transmitir à sociedade. Sendo assim, muitos homens ficam em silêncio com medo da rejeição e ridicularização de amigos e familiares. 

2.     Medo de não ser levado a sério

Outro fator é o medo de não ser levado a sério no momento da denúncia. No Brasil, casos de violência contra o homem ainda são tratados com descaso ou descrença quando o agressor é mulher.

As autoridades podem ridicularizar a vítima em vez de ajudá-la por acharem a ideia de uma mulher causar mal à um homem inconcebível. O grupo de amigos, parentes, colegas de trabalho ou pessoas conhecidas também podem não levar a situação a sério.

Consequentemente, a vítima não tem acesso aos recursos emocionais e legais necessários para sair do relacionamento. Ela pode começar a se questionar se a situação é mesmo tão grave assim ao encontrar a mesma reação diversas vezes.

3.     Desejo de proteger os filhos

O desejo de preservar a saúde mental e física dos filhos pode ser a principal razão para o homem ficar em silêncio. Como crianças e adolescentes costumam sofrer com a separação dos pais, ele pode achar que é melhor ficar com a parceira.

Além disso, se a vítima estiver desempregada e depender exclusivamente da renda da companheira para sobreviver e cuidar dos filhos, ela vai pensar duas vezes antes de tomar uma decisão que cause o fim da relação.

4.     Depressão e baixa autoestima

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É muito comum que vítimas de relacionamentos abusivos entrem em depressão ou desenvolvam ansiedade, síndrome do pânico ou outra condição de saúde mental devido às agressões sofridas diariamente.

A autoestima do homem é tão pisoteada que ele não consegue encontrar razões para confrontar pensamentos autodepreciativos e acreditar nas próprias desconfianças. Ele pode sentir vergonha de si mesmo por ser vítima de um relacionamento abusivo e pensar que merece ser tratado assim.

Quando a depressão se instala nas vítimas, elas possuem dificuldade para encontrar força e motivação para terminar o relacionamento ou, pelo menos, relatar o que está acontecendo a alguém de confiança.

O que fazer se eu estiver em um relacionamento abusivo?

Se você é homem e está em um relacionamento abusivo, coloque o seu bem-estar físico e psicológico em primeiro lugar. As crenças mencionadas anteriormente estão equivocadas. Elas calam as vítimas, dificultando o seu encontro com a felicidade, saúde mental e relação afetiva saudável.

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COMO SELECIONAR O SEU PSICÓLOGO

Ao colocar o seu bem-estar como prioridade número um, essas crenças deixam de ser tão importantes. Afinal, o que é “parecer fraco” ou “menos homem” em comparação à uma vida infeliz e opressora?

Busque apoio de pessoas de confiança para ajudá-lo a sair do relacionamento e se manter longe da ex-parceira. Você pode ter dúvidas sobre o término nos dias subsequentes, então é preciso se manter forte.

Se precisar da ajuda das autoridades ou se acreditar que seus filhos não estão seguros, não hesite em ligar para os serviços de emergência. Eles têm o dever de ajudá-lo independentemente de opiniões pessoais sobre você ou o caso.

Evite revidar as provocações da parceira abusiva porque é isso que ela quer. Se você perder o controle e retaliar, a situação pode ficar complicada para você. Assim, mantenha a calma. O silêncio que cai sobre as vítimas masculinas de relacionamentos abusivos somente será quebrado quando os homens começarem a ter atitudes para quebrá-lo, assim como aconteceu com as mulheres.

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*Os textos do site são informativos e não substituem atendimentos realizados por profissionais.

Sobre Thaiana Filla Brotto

Thaiana é psicóloga e CEO do consultório Psicólogos Berrini. Psicóloga formada em 2008 pela PUC-PR, com pós-graduação pela USP em Terapia Comportamental e pós-graduanda em Terapia Cognitiva Comportamental pelo ITC. Thaiana Brotto é registrada no Conselho Regional de Psicologia sob o número 06/106524

2 comentários em “Relacionamento abusivo: quando a vítima é o homem

  1. Escelente texto, Vivi dois relacionamentos abusivos, que acabaram comigo e minha autoestima.

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