Cirurgias plásticas e transtornos de personalidade

Cirurgias plásticas e transtornos de personalidade

O Brasil permeia o topo no ranking mundial de intervenções estéticas realizadas por ano. Somente em 2014, foram 1,49 milhão de procedimentos no país. Já com relação às práticas não invasivas o Brasil está em 2º lugar com uma média de 2,1 milhões, contra 3,9 milhões nos Estados Unidos

As razões que levam um indivíduo a realizar cirurgias cosméticas variam de pessoa para pessoa. Algumas clamam melhorias estéticas, outras possuem baixa autoestima. Porém, o aumento de 700% de procedimentos realizados na última década em todo o mundo levanta uma questão mais problemática, isto é, a obsessão com a beleza física. Existe um limite para as intervenções cirúrgicas?

Como uma pessoa fica viciada em procedimentos estéticos?

Procedimentos cosméticos ganharam muita popularidade nos últimos 15 anos, e atualmente é enxergado como uma prática comum em todo o mundo, existindo inúmeros motivos individuais que justificam sua realização. Porém, há um denominador comum: todas as razões que levam à cirurgia cosmética têm relação com a insatisfação com a própria aparência. Já no transtorno dismórfico corporal, essa insatisfação é extrema.

O TDC (Transtorno Dismórfico Corporal) é uma desordem grave caracterizada pela preocupação excessiva com alguma imperfeição física (geralmente facial), maximizada pela imaginação e que passa a ser encarada como defeito ou anormalidade. O paciente então acredita que a intervenção estética é a única solução.

Infelizmente, a prática de procedimentos cirúrgicos para eliminar o “defeito” de quem tem TDC tende a piorar o quadro de ansiedade do paciente, principalmente quando os resultados diferem de suas expectativas que, por seus defeitos serem imaginários, são impossíveis de alcançar. Em 68% dos casos o indivíduo com TDC passa então a se preocupar com outra área da face ou do corpo, gerando um círculo vicioso resultando em casos de deformação irreversível, falência (por conta dos altos custos de cada cirurgia) e até mesmo o suicídio.

Por isso, cresce o número de cirurgiões plásticos que encaminham seus pacientes a um psicólogo antes de realizar qualquer procedimento e recusam-se a aceitar diversos procedimentos de uma única vez, essas nas quais as celebridades de Hollywood aparecem irreconhecíveis do dia para a noite.

Mas então, eu devo falar com um psicólogo antes de fazer alguma plástica?

É recomendável, já que um estudo feito pela American Society of Plastic Surgery em 2006 sugere que de 6 a 63% das pessoas que buscam por intervenções estéticas apresentam sintomas de transtorno dismórfico corporal. O estudo ainda relata que pacientes com TDC, ao passar pelo primeiro procedimento estético, tendem a focar sua preocupação em outra área do corpo, descobrir novas “deformidades” ou se preocupar com pequenas imperfeições da área já tratada. É assim que a cirurgia plástica se torna um vício.

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Mas isso não significa que todas as pessoas que querem aumentar os seios ou diminuir o nariz têm problemas de saúde mental. Pelo contrário, o psicólogo irá avaliar se a cirurgia irá satisfazer o desejo de melhoria ou se há sinais de algum problema mais profundo.

Diagnóstico e tratamento

Pacientes que apresentam obsessão pela juventude ou por se tornar idêntico a alguma figura conhecida (atrizes, cantoras e até bonecas), transtornos de personalidade, ansiedade e depressão ou que possuem preocupação exagerada com o suas características físicas a ponto de transformarem sua rotina social.
O tratamento é feito através de terapias comportamentais cognitivas, atingindo um grau elevado de sucesso entre os pacientes que possuem TDC que não apresentam sintomas de outras perturbações mentais.

O modo reverso pode acontecer

Como já abordado acima, indivíduos com transtorno dismórfico corporal apresentam o problema ainda antes de encarar a cirurgia pela primeira vez. Porém, existe outro perigo acerca de transformações cosméticas excessivas, mesmo para aqueles que não apresentam sinais do distúrbio.

Vivian Diller, autora do livro “Encare o Espelho!” destaca que “as pessoas tendem a exagerar suas imperfeições, querendo livrar-se delas. Porém não percebem que são esses pequenos detalhes que compõe nossa identidade, e após realizarem mudanças radicais em suas feições faciais, esse senso de identidade pode sumir, gerando distúrbios psicológicos que antes eram inexistentes.” Diller afirma que não são raros os casos em que pacientes se sentem totalmente desconectados; não conseguindo mais associar a sua personalidade à aparência, questionando-se quem realmente são.

Para pessoas que têm expectativas realistas sobre o que a cirurgia plástica pode fazer por elas, uma lipo aqui, um lifting ali geralmente é o suficiente. No entanto, algumas pessoas podem tornar-se psicologicamente condicionadas a enxergar-se como imperfeitas e distorcidas, independentemente de sua aparência real. São essas as pessoas que podem acabar voltando para a sala de cirurgia infinitas vezes, até se tornarem irreconhecíveis (até para si mesmas). E é esse o tipo de dano que os profissionais da saúde mental querem detectar e evitar ao máximo.

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Autora: Thaiana F. Brotto (Psicóloga CRP 06/106524)

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