Por Melissa Almeida
Psicóloga · CRP 06/145112
Publicado em 17/03/2014 · Atualizado em 15/07/2026
Falar sobre mentira é o mesmo que falar sobre sonhos: ambas são inerentes à nossa vida. Mas, será mesmo?
É difícil imaginar um mundo ao nosso redor sem a existência da mentira. A mentira está presente em todos os momentos da nossa vida.
Os outros mentem, nós mentimos, há grandes mentiras históricas, a mídia mente… Psicólogos afirmam que, antes, para entender por que as pessoas mentem, é preciso entender a causa.
De acordo com a definição clássica dos dicionários, “mentira” significa emitir algo falso, que é oposto à verdade, mesmo sabendo dela. Ou seja, é algo intencional, já que o mentiroso conhece a verdade mas opta por falar outra versão dela.

Mas será que a mentira é apenas para benefício próprio ou ainda para prejudicar outras pessoas?
Você nunca se pegou mentindo por medo de falar a verdade ou por impulso? Será que não há problemas ocultos no emocional e no psicológico dos mentirosos?
Afinal, por que as pessoas mentem?
Afinal, por que as pessoas costumam mentir?
É muito comum ouvir por aí que “todo mundo mente”, mas não é bem assim. Existem sociedades e grupos sociais em que a mentira é desestimulada desde a infância com regras rígidas.
No entanto, elencamos algumas das principais desculpas usadas para as pessoas mentirem. Confira.
Habilidade natural: há quem diga que a mentira faz parte da história da humanidade pelo simples fato de que para o mundo funcionar, ela é necessária. Essa afirmação torna a mentira como se fosse uma habilidade necessária para a conservação da espécie…
Mentir é necessário: há para sociedades, a mentira serve para reforçar a ideia de uma cultura da corrupção que é válida, e inclusive deve ser encorajada. Ou seja, as pessoas mentem porque precisam sempre se dar bem.
Omissão não é mentira: Outra afirmação bem comum é que a omissão da informação é uma forma ética de mentira. Isso por que as informações não são falseadas, mas sim ocultadas. Assim, as pessoas mentem sem sentimento de culpa.
É importante destacar que há patologias como a mitomania em que a pessoa usa a mentira como forma de apoio para si e neste caso, a causa é mais profunda.
A mentira é, na verdade, um comportamento social. Ou seja, é aprendido e reproduzido desde os primeiros anos de idade.
E por isso é comum que na fase jovem e adulta, a pessoa desenvolva atalhos e procedimentos psicoemocionais para evitar alguns impasses morais e perturbações.
Principais motivos que levam as pessoas a mentir
Como já dito, a mentira é um comportamento aprendido pelas crianças. E isso acontece por que elas são cercadas por adultos que mentem. O primeiro impulso para a mentira surge quando elas pretendem tirar vantagens e privilégios.
Independentemente do porquê as pessoas mentem, é importante lembrar que a mentira costuma trazer danos a todos os envolvidos, inclusive ao mentiroso. Confira os principais motivos que levam as pessoas a mentirem.
1. Autodefesa
A mentira funciona, neste caso, como autopreservação. Mesmo correndo riscos, ela aparece como como mecanismo de proteção.
A baixa autoestima, falta de alto controle e outros motivos como ansiedade e depressão podem contribuir para essa necessidade de autodefesa pela mentira.
>>>Leia também: Insegurança emocional.
2. Controle
Pessoas controladoras são adeptas da mentira. A ideia de manter o controle das situações faz com que a mentira pareça ser necessária para manter o poder.
3. Medo
Por vários motivos, mentir equivale a não confrontar o problema diante de si. É mais fácil mentir do que decepcionar outra pessoa, por exemplo.
A fim de não perder a aceitação social e individual, sua imagem e reputação, a mentira acaba sendo subterfúgio.
4. Inclusão
Sentir-se incluído em um grupo social ou fazer parte de algo para pessoas com estes déficits emocionais, faz da mentira um verdadeiro remédio.
Uma simples mentira pode virar uma fantástica história e aventura pessoal para ouvintes sedentos de experiências fantásticas.
5. Aumentar a verdade
As histórias reais contadas podem parecer, por vezes, insípidas e sem graça. Por este motivo, a pessoa cria e aumenta um volume à circunstância que não existia na realidade.
“Florear” a realidade é criar memórias fascinantes. Por outro lado, também existe aquelas pessoas que contam histórias e mentiras porque justamente elas adorariam que esses relatos fossem verdadeiros, sem ao menos terem acontecido.
Mitomania, o processo patológico
É verdade que as pessoas tratam de seus problemas de forma totalmente distintas umas das outras. Uma delas é o ato de mentir ou de observar a realidade de forma diferente.
Quando mentir torna-se cotidiano e até mesmo descontrolado, é porque algo está errado com a pessoa, podendo ser sintoma de uma patologia mais grave, conhecido como mitomania. Pessoas que sofrem desse distúrbio costumam mentir compulsivamente, mesmo sem proveito próprio.
Neste estágio, a pessoa concebe fantasias sobre qualquer assunto com naturalidade. O grau de perigo é elevado quando a pessoa passa a acreditar como verdade a sua mentira, na forma de autoilusão.
Considerada como mentira patológica, esse distúrbio pode atuar em comorbidade com outros, tais como: bipolaridade, esquizofrenia, psicose e transtorno de personalidade etc.
As causas, em geral do porquê as pessoas mentem compulsivamente, tem ligação com fatores psicoemocionais complexos como ansiedade, medo, insegurança e frustração.
Seja um transtorno ou traço marcante, a mentira é sempre prejudicial, tanto para o mentiroso como para os outros. E, como vimos, são várias causas e consequências para as pessoas que tem o hábito de mentir.
O acompanhamento de um psicólogo ajuda consideravelmente no tratamento destas patologias. Através da psicoterapia o psicólogo ajuda o indivíduo a fortalecer o seu autoconhecimento, autoestima e bem-estar.
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Autor: Psicóloga Melissa Almeida dos Santos - CRP 06/145112Formação: Formação em TCC - Terapia Cognitiva Comportamental pelo CETCC e formação em Psicologia Organizacional pela PUC-SP. Tem expertise em questões como relacionamentos, ansiedade, conflitos profissionais e de carreira, estresse, conflitos familiares, depressão etc...
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