Por Ana Guastaferro
Psicóloga · CRP 06/228610
Publicado em 30/03/2026 · Atualizado em 15/07/2026
A Síndrome de Burnout é uma condição psicológica caracterizada pelo esgotamento profissional, em que a pessoa enfrenta um desgaste emocional extremo resultante de situações relacionadas ao ambiente laboral.
Pode-se afirmar que entre suas principais causas, destacam-se a carga excessiva de trabalho, a pressão intensa por resultados, além de muitas exigências e grandes responsabilidades no exercício da profissão.
Neste artigo, você conseguirá entender mais a respeito dessa síndrome e quais são os principais sintomas de uma pessoa que está passando por isso. Boa leitura!
O que é a Síndrome de Burnout?
A Síndrome de Burnout, também conhecida como Síndrome do Esgotamento Profissional, refere-se a um distúrbio emocional provocado por sentimentos de estresse crônico e cansaço extremo relativos às circunstâncias desgastantes no trabalho.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a Síndrome de Burnout como uma doença ocupacional e que pode afetar o bem-estar físico e mental do indivíduo.
Como dito, esta condição de saúde geralmente é mais comum no ambiente profissional e pode surgir de situações como as seguintes:
- pressão em excesso por resultados;
- jornadas de trabalho extensas;
- acúmulo de muitas obrigações;
- clima organizacional tóxico;
- desequilíbrio entre a vida profissional e pessoal;
- entre outros.
A Síndrome de Burnout pode acontecer nas mais diversas carreiras profissionais e seus efeitos podem evoluir para um quadro de depressão profunda, o que torna fundamental a busca por ajuda profissional assim que identificado.
Diferença entre Burnout e estresse
O estresse é uma reação natural do corpo humano decorrente de situações do cotidiano de qualquer pessoa. Ele acontece na vida pessoal ou profissional, sendo que é aliviado quando os problemas são resolvidos ou quando há descanso.
Por sua vez, o Burnout ou esgotamento profissional é o estresse crônico que está necessariamente ligado ao ambiente de trabalho, fator que pode impactar severamente a saúde mental e física do indivíduo caso não haja o tratamento apropriado.
O que causa a Síndrome de Burnout?
A Síndrome de Burnout é uma doença ocupacional causada, principalmente, pelo estresse crônico do trabalho, que leva a pessoa ao esgotamento ou estafa mental, tornando a sua rotina extremamente exaustiva.
Além disso, a síndrome pode ser desencadeada pela junção de fatores como os abaixo listados:
- acúmulo de muitas funções ou atividades;
- cobrança em excesso pelo cumprimento de metas;
- grandes responsabilidades no ambiente profissional;
- baixos salários;
- jornadas de trabalho extensas;
- conflitos com colegas de trabalho;
- ambiente laboral tóxico;
- falta de reconhecimento no emprego;
- entre outros.
A Síndrome de Burnout pode afetar profissionais de qualquer área. Porém, ela é mais comum em profissões com alta carga emocional e responsabilidade, tais como nas áreas da saúde, educação, segurança pública, serviços sociais, tecnologia e cargos de liderança.
Quais são os principais sintomas do Burnout?
Os sintomas do Burnout podem atingir tanto a saúde emocional quanto a saúde física da pessoa. Os mais comuns são:
Sintomas físicos
- Sensação de cansaço extremo, mesmo após um bom descanso;
- Dores de cabeça persistentes;
- Alterações no sono (insônia ou sono excessivo);
- Dores musculares;
- Fadiga;
- Dor de barriga;
- Batimentos cardíacos acelerados.
Sintomas emocionais
- Intenso cansaço mental;
- Sentimento de incapacidade;
- Oscilações de humor (irritabilidade e frustração);
- Isolamento social;
- Ansiedade com questões relacionadas ao trabalho;
- Desânimo para as atividades do dia a dia;
- Pessimismo.
Como dissemos, o Burnout é uma doença que, se não tratada adequadamente, pode evoluir para um quadro grave de depressão. Desta forma, o essencial é buscar ajuda profissional em qualquer sinal de desconfiança da condição.
Como identificar se estou passando pela Síndrome de Burnout?
Para que você consiga identificar se está passando pela Síndrome de Burnout, é preciso entender como esta condição funciona.
Para tanto, os psicólogos Herbert Freudenberger e Gail North identificaram uma lista com 12 estágios do Burnout, os quais permitem que a pessoa consiga perceber desde o início a existência da síndrome.
Estes estágios são:
Estágio 1
Caracterizado pela necessidade de aprovação, cujo indivíduo quer mostrar mérito ou excelência naquilo que faz, ainda que seja preciso assumir mais responsabilidades.
Estágio 2
Neste estágio a pessoa não consegue se desligar do trabalho, dedicando seu tempo disponível para as atividades profissionais, a exemplo de trabalhar aos finais de semana, mesmo que não tenha sido solicitado.
Estágio 3
Aqui existe uma desconsideração das próprias necessidades pessoais e sociais, ou seja, há um sacrifício de necessidades básicas tais como alimentar-se e dormir.
Estágio 4
O indivíduo foge de seus conflitos internos e da sobrecarga laboral em vez de enfrentá-los, de modo que, mesmo sabendo que algo está fora do lugar, ele prefere ignorar os sintomas.
Estágio 5
Há uma inversão de valores pessoais, isto é, eles são distorcidos, pois a pessoa acredita que sua autoestima depende apenas do desempenho no trabalho. Família e lazer tornam-se sem importância.
Estágio 6
É marcado pela negação dos problemas, pois o indivíduo se torna intolerante e crítico com relação aos colegas de equipe. De modo agressivo e sarcástico, ele os considera preguiçosos, incompetentes ou indisciplinados.
Estágio 7
Este é o estágio em que a vida social praticamente inexiste e as atividades do trabalho são feitas automaticamente. Para “aliviar o estresse”, é comum que a pessoa recorra ao uso de drogas ou álcool.
Estágio 8
Há uma mudança de comportamento visível, da qual a pessoa se torna bastante diferente do que era. Familiares e amigos percebem facilmente as alterações, pois quem era alegre, de repente, passou a ser apático, por exemplo.
Estágio 9
Refere-se ao estágio em que existe uma despersonalização e o indivíduo perde a sua própria identidade, não consegue enxergar o seu valor e nem mesmo as suas necessidades ou dos outros.
Estágio 10
Um sentimento de vazio interior intenso surge, circunstância que pode conduzir a comportamentos autodestrutivos. Em alguns casos, a pessoa tende a recorrer ao uso de álcool ou drogas, bem como à compulsão alimentar.
Estágio 11
Eestágio em que a vida parece não ter mais sentido e que não há esperanças para nada, o que é um forte indicativo de depressão. O indivíduo se sente inseguro e exausto, é como se estivesse perdido.
Estágio 12
O último estágio é aquele em que acontece o esgotamento ou colapso mental e físico por completo, o que requer a intervenção imediata de um especialista.
É importante lembrar que cada estágio deve ser visto como um sintoma do Burnout e que podem variar de pessoa para pessoa, tanto em intensidade quanto na ordem em que ocorrem.
De toda forma, o principal é que eles são sinais de alerta para que indivíduos procurem ajuda profissional e consigam impedir o agravamento desse ciclo.
Como diagnosticar e tratar o Burnout?
Para diagnosticar o Burnout, é necessário contar com o suporte de um especialista na área de saúde mental, sendo que psicólogos e psiquiatras são os profissionais capacitados para identificar a condição e indicar o tratamento apropriado para cada paciente.
No geral, são utilizados testes específicos para avaliar questões como a exaustão mental e os seus níveis. Assim, uma das ferramentas mais utilizadas para essa avaliação é o teste de Maslach Burnout Inventory – MBI.
Por sua vez, o tratamento da Síndrome de Burnout é feito com intervenções como:
- realização de psicoterapia;
- adoção de um estilo de vida mais saudável;
- mudanças nas condições do ambiente de trabalho;
- se necessário, uso de medicamentos;
- entre outros.
Lembre-se de que em momentos como esses é fundamental contar com especialistas na área para garantir maior qualidade de vida. Por isso, não hesite em procurar ajuda psicológica se sentir que algo não vai bem!
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Autor: Psicóloga Ana Caroline Pina dos Santos Guastaferro - CRP 06/228610Formação: Psicóloga especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e pós-graduanda em Neuropsicologia. Atua com adultos e casais em demandas como relacionamentos. ansiedade, depressão, burnout, compulsões, conflitos afetivos e transição de carreira.
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