Por Luzia Lobato
Psicóloga · CRP 06/119285
Publicado em 15/04/2015 · Atualizado em 12/07/2026
Após o casamento, é normal que cada um dos parceiros abandone antigos hábitos em prol de uma vida em comum.
As saídas à noite com os amigos, os encontros em bares, às vezes até as partidas de futebol na praia, prazeres tidos como “diversões de solteiro”, vão dando espaço a programas a dois.
Essa mudança de hábitos é muito natural e até mesmo esperada. Porém, o que se deve fazer quando a esposa começa a sufocar ou exigir demais, querendo ter sempre o controle de tudo?
Um pouco de preocupação também é normal, e um pouco de ciúme também, mas quando as reações se tornam exageradas pode ser mais do que simplesmente cuidado: você pode estar diante de uma esposa controladora.
Difícil convivência
Não é questão de ciúme, é questão de estar no controle. Neste caso, a esposa não aceita imprevistos: tudo e todos na casa devem seguir uma rotina estabelecida e controlada por ela, em seus mínimos detalhes.
Por mais que o marido argumente, e mostre como está se sentindo preso e que desejaria um pouco mais de liberdade, não tem solução: a esposa que tem esse tipo de personalidade não aceita ser corrigida ou se sentir desafiada, e também não admite que errou ou se enganou.
Pessoas assim são bastante difíceis de conviver, e mesmo a parceira estando ciente do problema, ela geralmente não consegue mudar sozinha, sendo recomendado o apoio de um psicólogo através de psicoterapia.
Sinais de alerta
Embora a linha entre o cuidado e o controle seja bastante fina, você pode perceber quando sua mulher está passando dos limites e querendo se impor, mesmo contra a vontade dos demais – pois uma esposa controladora não controla somente o marido; estende essa dominação aos filhos, parentes, colegas de trabalho e demais pessoas de seu convívio.
- Ela tem sempre razão: a pessoa controladora jamais admite que está errada. Por mais que se argumente, ela tem um sistema de valores interno totalmente inflexível e não aceitará de modo algum argumentos contrários, inclusive apelando para a chantagem emocional para conseguir o que deseja.
- Falta de confiança nas outras pessoas: para controlar seu “mundo”, a pessoa controladora costuma desconfiar sempre dos demais. Como não pode ler os pensamentos alheios, nem prever seus passos, costuma esperar que o outro lhe aplique um “golpe”, ou seja, quebre suas rotinas ou se recuse a obedecer suas “ordens”.
- Não se importa com os outros: só a opinião e os sentimentos dela interessam. Pessoas controladoras simplesmente não “enxergam” o outro como um ser humano. Pensam que o próximo é alguém com um papel pré-definido de acordo com sua posição na família, e deve se comportar sempre como tal.
- Não aceita receber ordens: muito boas para mandar, pessoas assim são péssimas para obedecer. Nem que seja uma simples sugestão, perfeitamente razoável e dita de modo gentil, quem tem perfil controlador a rejeitará. Ao se convencer de que a ideia sugerida é boa ou realmente necessária, torcerá tudo de modo que pareça iniciativa dela, tudo para não perder a “pose”.
Lidando com a situação
Pessoas assim raramente aceitam estar com um problema, por mais que se sintam infelizes e necessitem de ajuda. Em primeiro lugar, deve-se manter a calma. Não adianta brigar e discutir, pois essas pessoas não admitem jamais estar erradas.
Porém, não é recomendado se anular completamente para evitar discussões: a esposa deve aprender a respeitar a vontade dos outros.
Jamais perca sua autoestima. Pessoas controladoras gostam de diminuir os outros para justificar seu pretenso domínio sobre eles. Exija ter seu tempo e seu espaço e atividades que lhe inspirem e satisfaçam.
Apesar disso, nos momentos juntos, procure demonstrar carinho e ser gentil – o pretenso controle, na cabeça dela, é visando ao bem da família.
Como controladores são pessoas compulsivas e obsessivas, a melhor solução realmente é a terapia.
Se a esposa não aceita de modo algum iniciar uma terapia, uma solução possível e que evita conflitos domésticos é o marido, isoladamente, procurar atendimento psicológico.
Dessa forma, ele aprenderá a lidar adequadamente com o problema e recuperar sua autoestima. Considerem buscar a ajuda de um psicólogo. Em alguns casos é fundamental.
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Autor: Psicóloga Luzia Fatima de Andrade Lobato - CRP 06/119285 Formação: Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental e pós-graduada em Saúde Mental. Possui vasta experiência em atendimentos para adultos e casais, com foco em demandas como ansiedade, estresse no trabalho, conflitos familiares, depressão, questões emocionais como autoestima e autoconfiança…
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