Qual é o seu limite?

Qual é o seu limite

Torna-te quem tu és, escreveu o poeta grego Píndaro, em um passado muito, muito distante. Já naquela época, o homem buscava descobrir-se e filosofava em busca da autenticidade mais pura.

Parece que a busca pelo autoconhecimento sempre esteve na ordem do dia, levando-nos a fazer aquelas famosas perguntas: quem sou eu, o que me define, o que me diferencia das outras pessoas? E por que tais questões se repetem geração após geração e são tão importantes? Por que o autoconhecimento permite que você assuma o controle de sua vida e evite situações que o coloquem no limite – nada menos do que isso?

O psicólogo é o profissional que pode orientá-lo na busca pelo autoconhecimento e no entendimento dos seus limites – pois não resta dúvida – todos temos os nossos.

Quais são os seus limites?

Responda às seguintes perguntas: quais são seus pontos fortes? E seus pontos fracos? Quais são as suas habilidades? E seus limites? Essas perguntas ou outras semelhantes costumam ser feitas em entrevistas de emprego – se você já passou por isso, sabe do que estamos falando. O profissional que as faz não espera ouvir uma resposta padrão. Não há resposta certa ou errada aqui. O que ele quer saber é se você se conhece realmente, se tem consciência do que pode e não pode fazer.

Digamos que esteja em um relacionamento amoroso, mas ele não vai bem. Você sente que não está sendo verdadeiro consigo, nem com a outra pessoa e a situação toda está no limite do suportável, ou melhor, você está no limite. Então alguém pergunta: o que você quer que mude? Qual o problema real? E você responde: eu não sei. Você só sabe que está sofrendo, mas não tem claro o motivo. Bem, talvez você não perceba que está atravessando limites para os quais não está preparado ou simplesmente não quer atravessar.

Ou quem sabe você está enfrentando problemas no trabalho? Muita pressão, prazos cada vez mais curtos, tarefas em excesso que não o agradam ou que ultrapassam o seu conhecimento. Mas, então, por que você as aceitou? Provavelmente porque achou que podia tudo, não calculou ou desconhece os seus limites.

Quando você se conhece bem e sabe até onde pode ir, as chances de que algo extremo ocorra são menores, pois você detecta de antemão para que lado deve ir.

Entender seus limites não é aceitar a derrota

Embora a maioria das pessoas acredite que se conhece bem, nunca parou realmente para pensar no assunto. Quando se colocam em situações para a quais não estavam prontas – seja em um relacionamento, ou no trabalho –, culpam o parceiro ou a empresa e não enxergam que, provavelmente, deveriam ter parado antes, recuado frente a uma realidade à qual não conseguem responder no momento. No futuro, quem sabe? Mas não agora.

Ao trazer a frase inicial “torna-te quem tu és”, não pretendíamos incentivar as perigosas afirmações “não vou mudar, já nasci assim” ou “fiz tal coisa porque sou assim e pronto”. Pelo contrário, a intenção com a frase é descobrir o que, dentro de você, pode ser desenvolvido, pois além de conhecer seus limites, o autoconhecimento objetiva expandi-los (e não extrapolá-los, o que é radicalmente diferente).

Você pode perguntar: então por que não usar outra frase mais famosa, “Conhece-te a ti mesmo”? Porque, muitas vezes, conhecer a si mesmo, saber quem você é não é o suficiente para colocar em prática esse conhecimento. Para colocar em prática o autoconhecimento – para tornar-se quem você é – é preciso coragem e também orientação.

Esse último item, a orientação, pode vir do profissional psicólogo, preparado para ouvir e guiar quem, sozinho, já não consegue guiar-se. O espaço da terapia servirá para que você se escute de verdade, e o psicólogo saberá fazer uma abordagem prática e diretiva no momento certo para que, com o decorrer do processo, as suas escolhas sejam realmente escolhas e não enganos acontecidos por falta de conhecimento sobre você mesmo.

Autora: Thaiana F. Brotto (Psicóloga CRP 06/106524)

*Os textos do site são informativos e não substituem atendimentos realizados por profissionais.