Por Jaqueline Braga
Psicóloga · CRP 06/128616
Publicado em 02/03/2020 · Atualizado em 15/07/2026
Quando depositamos esperanças e dedicação, criamos expectativas e, quando não correspondidas, o medo de amar novamente aparece.
O medo de amar novamente pode serum dos piores sofrimentos na vida de uma pessoa, pois atinge diretamente oemocional, abala o psicológico e muitas vezes somatiza no corpo.
Algumas pessoas procuram a solução ou a fuga desse sofrimento em novos relacionamentos, vícios, compulsões etc., porém, todas estas atitudes podem levar a novos sofrimentos.
Conforme afirmam psicólogos, apenas o autoconhecimento poderá sanar de vez esse sofrimento do medo de amar novamente.

É possível superar essa fase ou como diz o ditado, “o tempo cura tudo”? Dependendo do caso e do contexto do relacionamento, às vezes, não é tão simples assim.
Na medida em que a pessoa vai entregando-se na relação, ela perde o senso da vulnerabilidade. E é por isso que quando acontece a decepção amorosa, não encontrará segurança e racionalidade suficiente.
O medo de amar novamente é uma dessas consequências. Existem pessoas que naturalmente não se entregam na sua totalidade em relações amorosas, porque elas já apresentam certo receio ou medo, antes de qualquer desilusão.
Então, o que devemos tratar, o medo em si ou a decepção amorosa? São coisas distintas, mas uma está intimamente ligada à outra, por várias razões.
Como enfrentar uma desilusão amorosa?
Desilusão amorosa é um tema que, ao mesmo tempo em que é bastante comum, também é bastante delicado.

A desilusão amorosa pode se enquadrar em muitos aspectos, sendo alguns mais comuns onde o indivíduo sente um amor não correspondido, ou terminou um relacionamento, seja ele namoro ou casamento, ou mesmo quando rompe os laços antes mesmo de iniciar qualquer relação.
A desilusão amorosa pode ser vista de inúmeras formas por cada pessoa que a sente.
Alguns enfrentam com mais tranquilidade e entendem que a vida também é feita de perdas, outros acabam por interpretar de forma mais complexa, e querem entender o porquê de aquilo ter acontecido.
Normalmente, em casos de relacionamento que se rompem, quando a decisão é tomada a partir de apenas um dos lados, o outro começa a se culpar, a achar que não fez as coisas certas na relação, começa a apontar os próprios erros e se culpar por algo que não necessariamente foi ocasionado por culpa de alguém.
Antes de qualquer coisa, oindivíduo precisa entender que relações são construídas através de duas pessoasinteiras, duas pessoas que estão disponíveis para se doar, entender e aceitarinúmeras coisas.
Todos têm defeitos e qualidades, alguns defeitos podem até ser melhorados, mas, ainda assim, existem.
Isso significa que não adianta tentar ser uma pessoa perfeita apenas para agradar o outro, pois em algum momento iremos falhar nessa missão, e a reação da outra pessoa não poderemos controlar. Portanto, é importante que você seja você.
O que fazer neste momento?
Cada relacionamento é particular em si mesmo. No entanto, os sintomas são comuns a quase todos eles.
Por este motivo, como deve ser tratada a superação do medo, e poder amar novamente, dependerá do seu entendimento em relação a si mesmo (autoconhecimento) com o poder de transformação (autoconfiança).
Desta forma, podemos indicaralgumas ideias para prosseguir o árduo caminho da superação do medo de amarnovamente, na medida em que possamos aprender, e assim, estabelecer maismaturidade às nossas experiências:
1. Entender que a vida é um fluxo
Isso significa que nada no universo é estagnado, tudo gira e se transforma em possibilidades, novas criações e, provavelmente, danos.
Entender que o fluxo natural de nossas vidas está atrelado a este cenário nos permite perceber que até nos momentos difíceis, qualquer coisa pode acontecer.
A busca pela felicidade não poderá ser interrompida.
O longo apelo à dor como subterfúgio da culpa ou da incriminação leva nosso emocional causar sintomas físicos como crises de pânico, entre outros.
2. Existe a relação perfeita?
Por mais que acreditemos num ideal de relacionamento, a sua busca, na verdade, não é tão aconselhada pelos psicólogos.
Eles entendem que iniciar uma longa caminhada em função de encontrar a “mais perfeita relação” ou “amor”, seria no fim das contas, perceber se é importante procurar apenas “o suficiente para ser feliz”.
Por si só este cuidado e consciência sobre o que é bom para si, implica no entendimento sobre as verdadeiras necessidades de cada um.
3. Quem está próximo?
Neste momento, a assistência sincera de pessoas que possuem uma relação incondicional, como familiares e amigos, são tão importantes quanto seu desejo à fuga. Busque companhias que lhe sejam assertivas, converse e abra se coração.
Evite se deixar tomar por pensamentos negativos. Pessoas de confiança podem lhe dar uma visão que você não seria capaz de ter.
4. O maior aprendizado
Otimize este estado de dor pela superação de si mesmo. A ideia de cair e poder levantar-se é um dos principais ensinamentos de nossos ancestrais.
Após toda queda, o ressurgir de uma nova etapa nos torna capaz de enfrentarmos desafios antes não possíveis. As pedras do tropeço serão as mesmas para a construção do caminho. Recomeçar faz parte do ciclo natural da vida.
A dor e o medo de amar novamente somente são perigosos se transfiguram em ressentimento e rancor. Se não, aprenda a fazer deste caminho uma saída verdadeira!
E caso a dor esteja muito difícil de lidar, busque a ajuda de um psicólogo. Um bom profissional irá lhe ajudar a diminuir o sofrimento e a conseguir um novo recomeço.
Perdas e aprendizados
As desilusões podem surgirdecorrentes de muitas coisas, às vezes a relação realmente não está maisacrescentando na vida de ambos, ou mesmo não estão sabendo lidar com osproblemas.
Para isto, também existe a terapia de casal, que pode ajudar a entender um pouco mais da relação, com a visão de um profissional, que será totalmente neutro em suas análises.
Sentir-se desiludido é comosentir-se decepcionado, e normalmente isto decorre de expectativas que foramdepositadas no outro e não foram atendidas. Por isso a importância de buscaruma ajuda profissional.
Quando isso ocorre, o trabalho doterapeuta é mostrar ao paciente seus valores, entender o grau de dificuldade domesmo de enfrentar esta perda – que também pode ser chamada de luto –, etrabalhar diante disso com o objetivo de fazer o paciente olhar para estarelação como um crescimento e uma nova experiência em sua vida.
Decepção amorosa e o medo de amar novamente
Quem acaba se protegendo demais, não saberá encontrar aspectos assertivos e favoráveis no amor. A crença de que não vai dar certo pode bloquear os sentidos de realização.

E pode levar muitos anos para desatar esse nó. A extrema autoproteção é convidativa para uma vida baseada na desconfiança.
O medo, por outro lado, possui uma relação direta com a preocupação de não correr riscos.
Mesmo que não saibamos o que o futuro nos guarda, superar e enfrentar o medo de amar novamente é importante em qualquer circunstância da vida. A sua forma drástica é a caracterização da depressão e início de fobias.
Já a decepção amorosa nos faz refletir constantemente sobre a sua causa e imergimos em uma série de questionamentos sobre nossas atitudes e as do parceiro (a).
No que erramos ou ainda, o que poderia ter sido evitado? Estas são perguntas frequentes, nos fazendo entrar em um estado de inquérito interno.
A ideia de seguir adiante é sabotada nestas circunstâncias. Desejos de obter um resultado, positivo ou negativo, ou simplesmente fugir desse momento é o que domina nossa mente.
Quem nunca estimulou os pensamentos negativos? O mesmo poder que temos para iniciar um belo projeto é o mesmo que pode propiciar a nossa autodestruição.
A energia consumida em torno do que é mais fácil, instigada pelos pensamentos negativos, é completamente destinada a caminhos errantes.
Neste estágio, se tornanecessário e essencial o acompanhamento de um psicólogo para dar conta destes“atalhos” emocionais.
Todos nós já passamos, de alguma forma, por uma decepção amorosa, seja ela em qualquer nível ou intensidade. E não importa a idade, ela pode ser avassaladora.
Os psicólogos afirmam que não importa de fato o que aconteceu, mas sim como você irá lidar com a mágoa.
Não podemos evitar de sermos magoados, é um risco que todos corremos. Mas podemos escolher entre ir em frente ou ficarmos presos ao passado.
Culpar os outros pela desilusão amorosa é o que a maioria de nós costuma fazer.
Afinal tivemos nossos sentimentos feridos, nossa confiança traída… Sim, alguém lhe fez algo de errado. Nós queremos que eles se desculpem e que reconheçam o que fizeram de errado.
Todos os seus sentimentos são legítimos. É importante senti-los plenamente e depois seguir em frente.
O problema é quando não deixamos esses sentimentos seguirem em frente e nos tornamos presos a eles. E isso não apenas aumenta o sofrimento e nos impede de viver coisas boas, como também pode gerar desordens psicológicas.
E como conseguimos nos libertardesse sentimento que é tão avassalador? Como seguir em frente e lidarmos com adesilusão amorosa? Confira algumas dicas a seguir.
Dicas de como lidar com a desilusão amorosa
A única maneira de retomar a alegria e a felicidade em sua vida é abrir espaço para isso.
Se seu coração está cheio de dor e mágoa, como você conseguirá seguir em frente? Sabemos que isso pode ser difícil, portanto confira algumas dicas de como lidar com a desilusão amorosa.
Dica 1. Decida que está na hora de deixar o outro partir
Nada desaparece em nossa vida como um passe de mágica. E isso vale também para a desilusão amorosa.
Mas, para que isso aconteça, precisa tomar a decisão de deixar partir a mágoa e tudo que a originou. É muito importante que você faça essa escolha de forma consciente, pois senão pode acabar se autossabotando.
Tomar a decisão consciente de deixar seu companheiro partir também significa aceitar que você tem o controle da sua vida.
E isso significa não apenas jogar fora tudo que associa a ele. É importante também parar de reviver essa história em sua mente.
Nada é mais empoderador do que quando descobrimos que a escolha de manter a dor ou viver sem ela é nossa.
Dica. 2. Expresse sua dor
Expresse a dor resultante da suadesilusão amorosa. Seja diretamente para a pessoa, desabafando com um amigo ouainda expressando em um diário, ela precisa ser exteriorizada. Tire tudo devocê de uma só vez.
Expressar sua dor o ajudará a entender o que, especificamente, é a sua mágoa.
Nós não vivemos em um mundo preto no branco. Pode parecer incrível, mas, às vezes, a dor da desilusão amorosa não é exatamente o que aparenta.
Quando nossos sentimentos são feridos, muitos problemas internos acabam vindo à tona.
Às vezes, esse choque emocional nos mostra a profundeza de nosso ser e quem somos realmente. Aproveite esse momento para crescer.
Dica 3. Concentre-se no presente e na alegria
Quando você se concentra no presente e na alegria que cada momento lhe proporciona, tem menos tempo para pensar sobre o passado.
Nossa mente será preenchida por algo, e agora é outro momento de fazer uma escolha: vai preenche-la com a dor passada ou com a alegria que está vivenciando nesse momento.
De tempos em tempos, sua mentepode ser preenchida por memórias tristes. Isso é natural e saudável. Asreconheça por um momento. Mas suavemente retorne e foque no presente.
Dica 4. Perdoe quem te magoou – e a si mesmo
Perdoar não significa esquecer. Perdãonão é sinal de fraqueza. O perdão não é o alívio do outro, é alívio de simesmo. O perdão é uma forma de deixar algo ir de maneira tangível.
E mais importante que perdoar ooutro, é perdoar a si mesmo. E de forma genuína. Quando somos magoados, por baixode nossa raiva reside uma culpa silenciosa e imensurável. Quem nunca, porexemplo, ao ser traído, se deparou com o pensamento de que “se eu tivesse feitodiferente, isso não teria acontecido. ”?
A vida de ninguém deve ser definida pela sua dor. Não é saudável, aumenta nosso estresse, prejudica nossa capacidade de nos concentrar, estudar e trabalhar, e afeta todos os outros relacionamentos que temos e teremos.
Todo dia que você escolhe permanecer na dor é outro dia em que todos ao seu redor têm que viver com essa decisão.
Caso a mágoa da desilusão amorosa esteja muito difícil de superar, procure orientação de um psicólogo.
Como dito anteriormente, ela pode mexer em questões internas ainda mais difíceis de superar. A terapia irá ajudar a resolver todas elas.
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Jaqueline BragaCRP 06/128616
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Gabriela AssisCRP 06/219159
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Consultas por vídeoRealiza especialização em TCC-Terapia Cognitivo Comportamental e é pós-graduada em Neurociência com formação complementar pela PUC Campinas. Sua prática clínica é baseada em abordagens contemporâneas, ideal para adultos e casais com demandas relacionamento, ansiedade, questões profissionais...
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Autor: Psicóloga Adriana Jaqueline Costa Rodrigues Braga - CRP 06/128616Formação: A psicóloga Jaqueline Braga possui mais de 10 anos de experiência em Psicologia Clínica. É especialista Comportamental DISC pela Etalent Internacional e pós-graduanda em Terapia Cognitivo Comportamental pela Universidade Anhanguera. Além disso, também possui pós-graduação em Psicologia...
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