Orientação de pais e Atendimento para pais de filhos com deficiência mental

Orientações de Pais que têm filhos portadores de deficiência

Era uma vez um Rei e uma Rainha, sempre muito tristes por não ter filhos. Um dia este desejo foi finalmente realizado e eles tiveram uma linda princesa. Todo o reino festejou e o Rei e a Rainha fizeram um grande banquete. Eram treze as fadas que moravam nas terras do Rei, contudo, a corte real resolveu somente convidar doze fadas (…). No final do banquete cada fada concedia a princesinha seus preciosos dons (…) Antes da décima segunda fada começar a falar, a fada que não foi convidada invadiu a festa. Muito zangada, disse: – No dia em que fizer quinze anos, a Princesa há de ferir a mão com o fuso de uma roca e morrerá! (…) A última fada, que não podia desfazer esta terrível maldição, mas podendo modifica-la, disse: – Em lugar de morrer, a princesa dormirá um profundo sono que durará cem anos, juntamente com todos do palácio. (…) O tempo passou e a Princesa tornou-se uma linda moça (…) (GRIMM, 1967, p.1-3).

Recorto este trecho da história Bela Adormecida para fazer uma analogia e pensar: O que fazer quando o Rei e a Rainha se deparam com o nascimento de uma Princesa com deficiência mental? Como lidar com a destruição do sonho da perfeição? Quais os sentimentos que ocorrem quando se tem a notícia da deficiência? E, depois, como viver com esses sentimentos? Porque não existe uma Fada que possa mudar esta história.

Cada pai e mãe de um filho com deficiência mental entram em algum momento no mundo do sonho perdido. Todas as histórias destes pais trazem sentimos diversos de angustias, frustrações, dúvidas e, logicamente, alegrias.

Na história da Bela Adormecida, o que acontece com a Princesa é um castigo, uma maldição pelo esquecimento do Rei e da Rainha de convidarem a décima terceira fada. Acredito que esse ponto é bastante delicado e controverso quando, em algum momento, associamos a deficiência mental a um castigo. No entanto, pude observar que, na minha experiência clínica, muitos pais que acompanhei terapeuticamente, tinham a ideia de que estavam sendo castigados e que recebiam uma punição norteava suas narrativas de vida.

A grande verdade é que estes pais precisam ser ouvidos e compreendidos. Desejam revelar os seus sentimentos de medo, as ansiedades e dúvidas, sem o receio do julgamento ou a cobrança do que as pessoas podem pensar deles.

Autora: Carolina Carmignani (Psicóloga CRP: 06/36041). Baseado no livro de sua autoria: Viver ao Lado da deficiência mental – Vetor Editora.