Luto

Luto

Luto X Depressão

Existe o risco do indivíduo com luto ser diagnosticado com depressão. Ou, quantas vezes não vemos amigos e parentes pedindo para uma pessoa em luto sair de casa, se levantar e continuar sua vida para ela poder se recuperar! Ela está de luto há um mês e seus próximos acham que ela ficar triste, não querer falar com ninguém e fazer menos atividades é prejudicial.

O luto merece ser vivido! O luto pode ser tanto a morte de alguém, como a falta de contato, término de relacionamentos, ou até mesmo a despedida de uma etapa da vida, de um emprego, cotidiano. Enfim, é uma perda! O luto causa inúmeras reações em um ser humano e alguns sintomas depressivos são os mais notados.

Quero trazer uma informação que é muito importante para quem está passando por um luto e para quem tem um próximo que está vivendo. O luto é natural, constante em nossas vidas e necessário!!! Ele existe para um fim. E é isso que eu quero explicar.

Freud escreveu: “Também vale a pena notar que, embora o luto envolva graves afastamentos daquilo que constitui a atitude normal para com a vida, jamais nos ocorre considerá-lo como sendo uma condição patológica e submetê-lo a tratamento médico. Confiamos em que seja superado após certo lapso de tempo, e julgamos inútil e mesmo prejudicial qualquer interferência em relação a ele” (Luto e Melancolia).

A importância do Luto

O luto destina-se a um momento de vida em que o indivíduo precisa fechar-se para o mundo por alguns motivos. Um deles deve-se ao fato do excesso gasto de energia durante o choque da perda que ele vivenciou. Assim como a depressão, o luto carece desta energia, exigindo este “fechamento para balanço” diante de um novo cotidiano de vida que se inicia.

Não viver este luto é como pular a etapa de um processo necessário para se chegar ao resultado. O luto também é visto como um momento de refletir, com o fim de elaborar tal situação da sua melhor maneira. A falta desta etapa pode resultar em uma repetição de experiências desconfortáveis até que o indivíduo resolva a primeira história não resolvida. Nossa mente trabalha assim! Enquanto não fechamos uma porta, nossa mente fará o possível para fechá-la a fim de elaborar o primeiro conflito vivido.

Freud escreveu uma frase que demonstra bem a diferença entre luto e depressão, ou como ele mesmo chama a depressão de melancolia: “No luto, é o mundo que se torna pobre e vazio; na melancolia, é o próprio ego (a própria alma do indivíduo)” (Luto e Melancolia). Ou seja, quem sofre o luto, luta contra um mundo externo, a perda. Mas quem sofre de depressão, luta contra si mesmo, pois foi uma parte dele que foi perdida.

De fato, a depressão é um empréstimo temporário ao luto, com começo, meio e fim, etapas chamadas de “choque”, “tristeza” e “aceitação”. A preocupação acontece quando esta depressão deixa de ser um empréstimo e sim um financiamento desta tristeza, a fim de se tornar própria da alma! Por isso, a importância de um acompanhamento durante este processo doloroso, porém necessário.

Autora: Leticia Merschmann (Psicóloga CRP 06/114273)

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