Por Ana Guastaferro
Psicóloga · CRP 06/228610
Publicado em 11/11/2020 · Atualizado em 15/07/2026
A meditação tem ganhado cada vez mais popularidade no Brasil. Os benefícios de silenciar a mente estão sendo compreendidos e vivenciados por um número maior de pessoas. A prática ajuda a reduzir a ansiedade e o estresse. Consequentemente, os momentos de felicidade no cotidiano aumentam.
Em outras palavras, é um método muito poderoso para cuidar da saúde mental! Psicólogos orientam o cultivo de hábitos saudáveis e prazerosos para manter o bem-estar emocional. O paciente precisa colocar em prática os ensinamentos aprendidos na psicoterapia e recorrer a “tratamentos alternativos”, como a meditação e a alimentação saudável, certamente é válido.
Você já pensou em meditar? Se a ideia nunca passou por sua cabeça ou se você está ligeiramente interessado e não sabe como iniciar a prática, este post vai ensiná-lo.
O que é meditação?
A meditação é uma prática que promove a concentração e a tranquilidade. Geralmente, a imagem de uma pessoa sentada de pernas cruzadas, com as mãos sobre os joelhos e olhos fechados, vem em mente quando se pensa no assunto. No entanto, existem várias maneiras de meditar que não envolvem essa postura.

Com raízes orientais, a técnica tradicional promove o esvaziamento da mente nessa posição por ser mais fácil manter o foco. Se você se sentar-se desconfortavelmente, não conseguirá se concentrar no que é realmente importante.
Além disso, cada tipo possui uma filosofia própria. A vipassana tem a intenção de conectar a mente e o corpo através da observação das sensações físicas. Dessa forma, conseguimos compreender os impactos dessas na saúde da mente e vice-versa, encontrando um equilíbrio entre ambos.
Já a meditação zen budista não busca somente desenvolver a concentração, mas também promover o desapego dos desejos e das emoções negativas. Assim, conseguimos adentrar um estado de aceitação da nossa realidade e do mundo, deixando de sofrer ao tentar modificá-los de acordo com nossas convicções.
Devido à sua popularidade em países ocidentais, novas formas de praticá-la foram criadas para fazer jus a novos propósitos.
Por exemplo, algumas pessoas preferem meditar de olhos abertos, focando em um ponto do cômodo ou objeto, enquanto outras incorporam a técnica mindfulness à meditação. Essa, na verdade, é considerada a forma ‘americana’ de meditar.
Por que praticar meditação?
Já percebeu que as pessoas estão cada vez mais estressadas, cansadas e sem tempo? O ritmo frenético da sociedade em que habitamos é o culpado. É raro quem consegue administrar todas as suas obrigações sem chegar ao esgotamento em algum momento da vida.
Trabalho, família, casamento, filhos, projetos pessoais, afazeres domésticos, pets… Tudo requer tempo e disposição. Essa última pode ser impulsionada por hábitos saudáveis, como a prática de exercícios físicos (mais energia), hobbies (mais prazer) e, é claro, a meditação.
A mente silenciosa nos ajuda a navegar pelas tarefas do dia a dia puxado e a interagir com as pessoas, sem dar brecha para o estresse se instalar. Deixamos de nos importar com detalhes insignificantes e/ou irritantes para focar no que é realmente importante para nós.
Em vez de nos apegarmos aos pontos negativos de todos os acontecimentos, mudamos o foco para o que podemos fazer para remediar a situação. O fracasso, assim, deixa de ser assustador.
Outro benefício que se encaixa perfeitamente no contexto atual é a redução do estresse. Ficamos estressados quando não conseguimos lidar com exigências externas ou a nossa autocrítica. À medida que o estresse é revivenciado no cotidiano, seja no trabalho ou em casa, a ansiedade cresce.
Logo, o corpo começa a dar sinais de sobrecarga emocional. Gastrite, sudorese, insônia, fadiga e sonolência diurna, alergias de pele, dores musculares, aumento de peso e queda de cabelo são alguns dos ‘pedidos de socorro’ do nosso organismo.
Embora a meditação não faça o estresse desaparecer milagrosamente, ela nos fortalece contra ele. A mente livre de cobranças e de pessimismo não cede facilmente. Na verdade, a pessoa que medita periodicamente sabe muito bem como desviar de fatores estressores.
Entre outras razões para meditar estão:
- Execução mais eficiente de tarefas simultâneas;
- Melhora na qualidade do sono;
- Gestão de emoções;
- Desapego de sentimentos negativos, causadores de intrigas com outras pessoas;
- Redução da ansiedade, da depressão e do estresse, especialmente em ambientes movimentados;
- Prevenção contra doenças psicossomáticas (de origem emocional);
- Fortalecimento de relacionamentos interpessoais. A pessoa sente-se mais calma e concentrada durante as interações sociais, facilitando a identificação com o outro e a formação de laços;
- Surgimento de ideias. A mente vazia possibilita o aparecimento de mais ideias inovadoras;
- Facilidade para sentir-se inspirado no dia a dia;
- Exercício da memória;
- Autoconhecimento;
- Sensação de bem-estar; e
- Promoção de emoções positivas, como a tranquilidade, o contentamento, a aceitação e a alegria.
Desapego: possivelmente o maior benefício da meditação
Acima de tudo, meditar ajuda a desapegar.
As pessoas costumam atribuir importância exagerada para coisas pequenas e, por vezes, criam desavenças por causa disso. A mente desapegada não tem tempo para isso tampouco para ouvir o próprio orgulho.
Ela consegue identificar e cessar pensamentos que servem apenas para deixá-la com raiva da vida. Diferente da mente agitada, que mal consegue prestar atenção nos devaneios que perambulam por ela.
As pessoas também costumam depositar a responsabilidade de sua felicidade em fatores externos, que estão além de seu controle. Bens materiais, realização pessoal, relacionamentos, experiências de vida, criação dos filhos…
Esses elementos naturalmente trazem alegria, mas a felicidade vinda deles se dissipa eventualmente. Assim, elas entram em um ciclo vicioso de procurar elementos externos para serem felizes.
Por outro lado, a felicidade que vem do íntimo é forte e duradoura, embora não apareça constantemente. A pessoa que medita não depende de situações externas para sentir-se bem consigo mesma. Ela sabe encontrar a felicidade dentro dela.
A meditação desenvolve o desapego porque o praticante aprende a observar os seus pensamentos e emoções sem interagir com eles. Desse modo, compreende que é possível existir dando ouvidos somente ao que é bom.
Como iniciar a prática de meditação?
Se você acredita que silenciar a mente é impossível em virtude da ansiedade ou inquietação constante, que fazem os seus pensamentos correrem a toda velocidade sem dar trégua, logo vai descobrir o contrário.
Todo mundo pode praticar a meditação, independente da escolha do método meditativo. Aquietar os pensamentos é uma questão de prática e não de habilidade ou de ‘levar jeito’.
Pessoas normalmente agitadas podem demorar mais para relaxar porque não estão acostumadas a desacelerar, porém, com o tempo, ficará mais fácil observar a passagem dos pensamentos sem engajar com eles. De fato, essas são as pessoas que mais precisam aprender a relaxar.
Abaixo, confira o passo a passo para começar a meditar e desfrutar de seus benefícios já!
1. Encontre um local quieto
Apesar de muitas pessoas gostarem de meditar no próprio quarto, outras preferem fazê-lo em um cômodo silencioso designado especialmente para isso. Você pode fazer testes para ver em qual lugar da casa você se sente mais confortável para meditar. Que tal o quintal? Os sons da natureza podem estimular o relaxamento!
2. Sente-se confortavelmente
A posição de pernas cruzadas pode não ser a mais agradável para você. Se sentir desconforto nos joelhos ou na lombar, pode se sentar contra uma parede ou em uma cadeira, posicionando as costas contra o encosto e deixando as pernas soltas à sua frente.
3. Respire profundamente
Inspire longamente e prenda a respiração por três a cinco segundos antes de soltá-la. Faça isso até sentir os ombros relaxarem e a mente se aquietar. Você não precisa respirar profundamente durante toda a prática, somente nos minutos iniciais para se situar.
4. Feche os olhos (ou mantenha-os abertos, se achar melhor)
Fechar os olhos permite maior concentração, porém, se você não conseguir relaxar na escuridão, deixe-os abertos. Foque a sua visão em um objeto ou ponto fixo do cômodo. Preferencialmente, algo próximo do chão para não irritar os olhos e prevenir o piscar constante.
5. Observe os seus pensamentos
Observar os pensamentos significa evitar interagir com eles quando passarem por sua mente. Por exemplo, se as pendências do próximo dia começarem a ser listadas por vontade própria ou uma memória embaraçosa aparecer subitamente, não dê atenção a elas.
Você não precisa confrontar os seus pensamentos ou ficar irritado por não conseguir ‘não pensar em nada’. Somente concentre-se em sua respiração para que eles desapareçam por conta própria. Para ajudá-lo em suas primeiras tentativas, procure uma meditação guiada na internet e acompanhe a voz suave do instrutor.
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Autor: Psicóloga Ana Caroline Pina dos Santos Guastaferro - CRP 06/228610Formação: Psicóloga especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e pós-graduanda em Neuropsicologia. Atua com adultos e casais em demandas como relacionamentos. ansiedade, depressão, burnout, compulsões, conflitos afetivos e transição de carreira.
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