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Quando o orgulho se torna doentio?

Quando o orgulho se torna doentio?

O orgulho é um sentimento difícil de decifrar. Ora é bom ora é ruim. Embora não pareça, existe muita diferença entre estar orgulhoso de quem você é e ser orgulhoso a ponto de fechar os olhos para tudo além de você.

A segunda situação denuncia o adoecimento desse sentimento, o qual pode trazer sérios prejuízos emocionais e psicológicos.

Existe orgulho bom e orgulho ruim?

O orgulho é um sentimento inerente aos seres humanos. Está presente em todos nós, sem exceção, em menores ou maiores quantidades. Corresponde à satisfação sentida perante as nossas conquistas e realizações ou de pessoas que amamos. 

Embora existam advertências sobre o orgulho e crenças religiosas que condenam esse sentimento, ele também tem características positivas. Na verdade, ele pode ser interpretado como uma espada de dois gumes: um lado é sem ponta e inofensivo e outro, destruidor.

O orgulho saudável

O orgulho saudável está associado à autoestima, autoconfiança e uma atitude positiva. Pessoas que encontram diversas razões para estarem orgulhosas de si mesmas têm prazer na autorrealização.

O sucesso delas é uma consequência direta de muito esforço pessoal, da aquisição de conhecimento e da superação de desafios. Elas não se contentam com o medíocre e, por isso, se esforçam para ter um desempenho de qualidade.

Valor Consulta Psicóloga Ingrid






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A cada nova vitória, elas se orgulham de quem são e das competências que possuem. Esse sentimento é compreensível e justo, certo? Devemos sim valorizar os nossos grandes e pequenos feitos.

Essa valorização é muitas vezes silenciosa e privativa, voltada somente para a pessoa e os seus entes queridos. O orgulho saudável não vê necessidade de criar espetáculos, nem anunciar as suas conquistas espalhafatosamente. É o sentimento de autorrealização que conta.

Outra característica do orgulho saudável que merece ser ressaltada é a ausência de comparações. Pessoas com orgulho sadio não se gabam de suas realizações ou exageram histórias pessoais para torná-las mais interessantes. Também não sentem inveja de quem conquistou o sucesso na mesma área.

Elas se sentem satisfeitas com quem são, mesmo quando encontram espaço para o aperfeiçoamento. Por conta disso, deixam a impressão de terem total confiança em suas habilidades e competências por onde passam. Sendo assim, são valorizadas no trabalho, na academia e nos círculos sociais.

O orgulho doentio

A motivação das pessoas com orgulho doentio é bem diferente.

Elas almejam o sucesso, não o crescimento pessoal. Através de feitos extravagantes, tentam provar para si mesmas e para quem estiver ao redor o quanto são competentes. É assim que fazem a manutenção da sua autoconfiança, a qual já é fragilizada.

Lá no fundo, essas pessoas são atormentadas pela incerteza, vergonha e culpa. Para compensar o mal-estar causado por esses sentimentos, concentram as suas energias em conquistar cada vez.

Outra forma de digerir esses sentimentos negativos é a arrogância. A relutância em encarar possíveis fraquezas é tanta que a pessoa orgulhosa demais constrói uma história para sustentar as suas fantasias. Quem consegue identificar a sua verdadeira face é tratado com escárnio.

O orgulho doentio também estimula a supervalorização.

Ações consideradas moderadas ou medíocres pelo senso comum são tratadas como feitos incríveis. Além disso, o sucesso adquirido com a ajuda de terceiros, como um projeto profissional desenvolvido por uma equipe de trabalho, é tratado como uma conquista individual.

Por outro lado, o excesso de orgulho pode encorajar as pessoas a se arriscarem em atividades, projetos ou desafios além de sua capacidade.

Como a adulação constante é necessária para manter a autoconfiança do orgulhoso, ele não mede esforços ou pensa nas consequências de se aventurar em algo que provavelmente resultará em fracasso ou prejuízos.

Causas do orgulho doentio

Será que você tem alimentado o orgulho doentio sem querer?

Psicólogos acreditam que pessoas orgulhosas possuem conflitos internos originados da infância ou de experiências traumáticas em outros momentos da vida. A negligência parental costuma ser o principal motivo para a necessidade desesperadora de compensar qualquer falha ou comportamento negativo.

No entanto, também é possível alimentar o orgulho erroneamente. A trajetória para o lado doentio começa com comparações aparentemente inofensivas de vitórias, habilidades e conhecimentos. A adoração e as sensações boas da autorrealização podem subir a cabeça, inflando o ego da pessoa de forma desproporcional.

A diferença é que a segunda situação é mais fácil de contornar. Quando o orgulho ruim é alimentado desde os primeiros anos de vida, o orgulhoso desenvolve mecanismos de defesa e crenças em cima dele. A sua ressignificação é mais difícil e, acima de tudo, dolorosa.

Ela consiste em perceber a característica ilusória da autopercepção e destruir a supervalorização de qualidades e feitos medianos. Apesar desse ser um processo complicado, não é impossível quando se deseja viver uma vida emocionalmente saudável e mais satisfatória.

O orgulho doentio traz muitas consequências

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O orgulho doentio cega a pessoa para as suas verdadeiras limitações, além de passar uma imagem desagradável para os outros. Alimentar esse tipo de orgulho é como viver em relacionamento abusivo consigo mesmo.

Nada parece estar certo até você se sentir amado e idolatrado por conhecidos e desconhecidos. Enquanto busca ser adorado, ignora problemas emocionais latentes somente para manter aparências. Fingir que esses incômodos não existem, entretanto, não os faz desaparecer.

Mais cedo ou mais tarde, o seu emocional e psicológico alcançarão o esgotamento.

Além do mais, viver à procura de satisfazer necessidades com fatores externos (adoração, opinião alheia) não leva à satisfação e à autorrealização tanto almejadas. Esses fatores somente poderão ser encontrados através do amor nutrido por si mesmo.

Por fim, a negação é típica de pessoas orgulhosas e grande causadora de sofrimento. Ela resulta em queixas inacabáveis sobre qualquer tema considerado desagradável pelo orgulhoso. Somente ele é o correto, o inteligente, o sensato, o corajoso, o eficiente.

Ser incapaz (ou fingir ser incapaz) de perceber e aceitar derrotas ou deslizes de conduta gera conflitos com pessoas próximas. Conviver com indivíduos intolerantes e irredutíveis é desagradável e, por isso, eles acabam sendo isolados.

Como controlar o orgulho doentio

A relação do orgulhoso doentio com as suas emoções é precária, aumentando os percalços, amizades tóxicas e relacionamentos de má qualidade. O distanciamento voluntário das emoções, especialmente as negativas, não é a solução.

O orgulho doentio é uma característica de quem precisa preencher lacunas emocionais. Esse trabalho somente será feito e concluído satisfatoriamente através da reconexão com as emoções e os sentimentos.

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Caso o orgulho seja uma maneira de compensar um trauma ou evento ruim do passado, também será necessário se reconectar com lembranças pouco agradáveis.

A maneira mais eficiente de fazer isso e, consequentemente, controlar o orgulho doentio é trabalhando a honestidade. Esse costuma ser o pior pesadelo das pessoas orgulhosas, que gostam de mentir ou ignorar os seus problemas, mas é também o remédio para o excesso desse sentimento.

A honestidade permite o reencontro com as emoções sem barreiras ou ilusões. Ao se dar permissão para reconhecer a maneira como se sente em relação a si mesmo e ao mundo, o orgulhoso consegue combater a soberba.

Para ser mais honesto consigo mesmo, é preciso:

1.     Reconhecer e admitir o orgulho

Uma tarefa difícil, mas de extrema necessidade. Você não conseguirá solucionar os seus problemas com o orgulho se não souber que eles existem, certo? Refletir sobre a influência desse sentimento em sua vida é o primeiro passo para controlá-lo.

2.     Encarar a realidade como ela é

A honestidade consiste em encarar a sua verdade nos olhos, sem medo de autocríticas e julgamentos alheios. Aceitar traços de personalidade e condutas inadequadas não é um exercício muito agradável, mas é libertador! Portanto, encare emoções, relacionamentos, pensamentos e conquistas como são.

3.     Confrontar dores emocionais

Como o orgulho doentio pode estar enraizado em dores emocionais originadas no passado, é essencial confrontá-las com sabedoria e compaixão. Você pode buscar o auxílio de um psicólogo para concluir essa etapa do processo de desapego do orgulho.

4.     Rir de si mesmo

O orgulhoso não ri de si mesmo. Prefere atribuir importância demasiada a quem é, como se pudesse controlar a forma como os outros o veem.

Rir de si mesmo é um hábito de pessoas confiantes e sinceras, sabia? Somente elas conseguem enxergar o humor em si mesmas e não temer entreter os outros com as suas falhas, as quais são totalmente humanas e compreensíveis.

5.     Expressar gratidão

Expressar gratidão tem o poder de tirar o foco de você e passar para os presentes e as alegrias em sua vida, além de reconhecer a importância de pessoas amadas para o seu sucesso e bem-estar. 

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*Os textos do site são informativos e não substituem atendimentos realizados por profissionais.

Sobre Psicóloga Thaiana

CRP 106524/06. A psicóloga é CEO do consultório Psicólogos Berrini. Psicóloga formada em 2008 pela PUC-PR, com pós-graduação pela USP em Terapia Comportamental e pós-graduanda em Terapia Cognitiva Comportamental pelo ITC.

2 comentários em “Quando o orgulho se torna doentio?

    • Olá!

      Obrigada pelo seu comentário. Fico contente que você tenha gostado do conteúdo!

      Abraços,
      Psicóloga Thaiana

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